quinta-feira, dezembro 14, 2006

Ônibus

O que posso dizer sobre ontem. Saí 10 minutos mais cedo pra pegar o ônibus. Estava chovendo. E posso afirmar que não era pouca coisa. Avistei o coletivo deixando o ponto final quando eu já estava na metade do caminho. Ele iria passar ao meu lado. Fiz sinal pra que parasse. Afinal eu estava no meio do nada e na chuva. O motorista olhou para mim deu de ombros e foi em frente. Levantei meu braço direito e estiquei meu dedo médio. Mostrando para onde ele e o seu maldito ônibus deveriam ir.
25 minutos depois chegou outro veículo que me levou até o Kobrasol onde eu tinha que pegar a minha conexão. Mas cheguei tarde demais. Já eram 17h45min. Minha linha já tinha passado há muito tempo. Fiquei em pé no ponto de ônibus esperando. Passava ônibus até pro inferno. Só o meu não vinha. Quando cheguei ao ponto o único lugar vago era na beira do abrigo. Fiquei ali tomando chuva até conseguir uma vaga num ponto mais resguardado. Então estou eu lá muito puto da cara. Ruminando as desvantagens da pobreza e as humilhações de depender do transporte público. Quando uma velhinha de pele enrugada, cabelos brancos, coluna curvada. Me chama e sorrindo me diz:
- O moço senta aqui por que senão ninguém pode ver o ônibus que está vindo.
Como disse eu estava possesso de raiva. E pensei comigo mesmo. Mando. Não mando. Mando. Não mando. Não mandei. Simplesmente olhei pra velha com o meu melhor olhar de serial killer e me afastei dela o mais rápido que pude.
Continuava chovendo e nada do meu transporte chegar. Puxei um livro do Edgar Allan Poe e fiquei matando o tempo. Quando o maldito transporte chegou embarquei. Lá dentro. Aquele monte de pobre apinhado. Um por cima do outro. Amaldiçoei de novo a minha pobreza. Achei um lugar pra me apinhar entre os outros macacos e tentei seguir meu caminho em paz. Mas as coisas não podiam parar por aí. Simplesmente o veículo estava todo fechado por causa da chuva. O ar estava abafado. O lugar cheio de gente. Muitos voltando do trabalho. E que odor agradável vem juntar-se ao cheiro de gente suada? Urina. É isso o que eu mereço após um longo dia de trabalho. Um ônibus fedendo a urina. Por sorte minha viagem não demorou mais do que 45 minutos.
Mas tudo bem, não vou me desesperar. Amanhã tem mais. Sempre tem mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você se deu ao trabalho de escrever então nós iremos responder.