quinta-feira, dezembro 31, 2009

Dia da esperança

Esperança. Segundo um dicionário da internet significa, Disposição de espírito que induz a esperar que uma coisa se há-de realizar ou suceder; expectativa; confiança.


Tem gente que nasce no dia da esperança. Eu sou uma delas e me pergunto o que isso pode significar. O que posso dizer sobre esse título. Será que quem nasce no dia da esperança é uma criatura destinada a esperar eterna e passivamente pela realização dos seus sonhos ou simplesmente um ser que não desiste das coisas e vê uma possibilidade de sucesso ainda que tudo ao seu redor seja cinzas e desolação. Os mais antigos diziam que quem espera sempre alcança, os mais novos dizem que quem espera sempre cansa. No meio dos ditos populares chego a conclusão que sou de capricórnio. Não abro o jornal pra saber o que me diz o horóscopo do dia, nem por isso deixo de achar interessante as descrições que fazem do meu signo. Talvez por dizerem tantas coisas e despejarem tantas características seja tão fácil me identificar, mesmo assim isso ainda não responde a minha pergunta. O que espera aquele que nasce no último dia do ano? Sei que estraguei o réveillon da minha mãe, a própria me contou. Não fui o bebê do fantástico e nem deixei que ela comemorasse a virada à beira-mar. Ela ainda não me perdoou por isso, eu acho.

Hoje estou aqui às vésperas de completar 33 anos e ainda não sei o que espera quem nasce no dia da esperança. Árvores? Já plantei muitas? Filhos? Pelo menos uma, até o momento não apareceu ninguém solicitando paternidade. Livros? Ainda não escrevi nenhum. Barbudo, cabeludo, mesmo assim ainda não criei nenhuma seita e nem ao menos tenho seguidores. Me preocupa um pouco esse número; 33. Deve ser culpa dessa minha educação cristã. Parece que se você não construiu nada até essa idade é por que é hora de largar tudo, agarrar sua cruz e desistir desse mundo. Pode ser que isso seja apenas um efeito do último dia do ano, mas sempre vem a mente um retrospecto da existência e o que eu vejo não me agrada muito.

Mas o que de fato importa é que hoje é o dia da esperança. E que o melhor que posso fazer é não abstrair em cima desse assunto, pois começo a confundir demais a minha vida com o tema do debate. Sendo assim comemoremos o dia da esperança sem deixar de lado o trabalho árduo e continuo que é capaz de transformar esse sentimento em realidade.


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quinta-feira, dezembro 24, 2009

Luzes de Natal e Ano Novo

Estamos na época de muitas luzes. São os brilhos dos enfeites e das árvores de Natal e dos fogos de artifício saudando a chegada do ano novo. Muita gente fica fascinada com as cores e a intensidade das luzes. Mas... Temos luzes o ano inteiro! Não são artificiais. São naturais, criadas por Deus. As estrelas, a lua e o sol estão aí para nos saudar e nos alegrar. Dão “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” com bastante claridade. Não vemos de forma nítida nos dias de chuva ou com muitas nuvens. Mesmo com essas interferências, as estrelas, a lua e o sol não desaparecem.

Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário terá a luz da vida” (João 8:12). Que no Natal todos se lembrem da importância de Jesus e que em 2010 haja muita luz em sua vida. São os desejos da equipe do blog Máquina de Letras.

O L.S. Alves está sumido, porque viajou com a família dele. Logo ele estará de volta para continuar compartilhando a alegria de escrever aqui e ler os textos de outros blogs.

Feliz Natal! Feliz Ano Novo! Admirem esta beleza de luz do fim do dia:



Lu Vieira

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segunda-feira, dezembro 14, 2009

A letra

Vivemos na era digital. Quase não escrevemos usando a caneta ou o lápis. Fazemos isso mais por meio do computador, do celular, etc. Hoje sinto dificuldade quando vou escrever com a caneta. Até para assinar. Preciso lembrar como devo posicionar a mão e o corpo. A minha mão chega a tremer quando começo a escrever com caneta. Depois flui naturalmente. Engraçado isso, pois antigamente eu conseguia fazer com facilidade. Era um ato mecânico. Pode ser que o motivo da dificuldade seja o uso constante do computador no trabalho ou em casa.

Escrever com caneta e no computador não é a mesma coisa. Quando uso o computador, digito muito rápido e de acordo com a velocidade do meu pensamento. Essa rapidez, creio eu, adquiri graças às aulas de piano e de datilografia. Aulas de datilografia? Isso nem existe mais. Já com a caneta no papel, não consigo fazer isso rápido e, consequentemente, não acompanha a velocidade do meu pensamento. Há frases que faltam palavras ou elas ficam juntas.

Alguns que estão lendo este texto podem estar se perguntando: “E daí, Lu?” Daí que quero fazer uma pergunta. Vocês conhecem a letra de seus novos amigos e colegas de trabalho? Não sei a sua resposta. A minha é não. Descobri que não conheço a letra de muita gente. Fiquei pasma. A letra, em minha opinião, revela um pouco da personalidade da pessoa. Este post escrevi primeiro no papel com caneta. A minha letra ficou feia. Mas é a letra de rascunho. Termino este texto mostrando a minha letra corrida e a de forma para vocês conhecerem um pouco mais de mim:


Lu Vieira

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quarta-feira, dezembro 09, 2009

Adão

Texto inspirado na imagem abaixo.










Adão era o cara mais esperto do paraíso. O que não quer dizer muito, visto que ele estava lá sozinho naquele imenso matagal sem fim. Enquanto o Éden era novidade, não houve problemas. Mas passados alguns dias o rapaz já havia enjoado de andar à toa pra lá e pra cá. Jovem, solteiro, filho de pai poderoso e com tempo de sobra, Adão era uma mistura fadada ao fracasso. Só podia dar em merda. E deu. Acredito que a culpa seja principalmente dos hormônios. Nos dias de hoje o normal é por a culpa de tudo nos hormônios. TPM? Hormônios. Infidelidade? Hormônios. Paixão? Hormônios também. E foram os hormônios de Adão que vitimaram todas as ovelhas, vacas, lhamas, cabras, éguas e fêmeas do paraíso. Chegou a um ponto em que ninguém mais sentia-se seguro ali. Independente do que tivesse no meio das pernas. Nesse momento deus viu que não havia mais como ignorar as coisas e tomou uma atitude. Tirou uma costela do rapaz e com ela fez uma mulher. Pergunto-me o que ele não faria se usasse matéria prima de melhor qualidade. Um braço ou uma perna talvez.
E deus criou Eva. E ela era a mulher mais gostosa e sedutora do mundo. Logo conquistou a mente, o coração e bagos de Adão. Ela fazia coisas que nenhuma ovelha seria capaz e sem o perigo de arrancar algo com os dentes. No começo tudo era novidade e alegria, mas não demorou muito ela foi pondo as garrinhas de fora e começou a enrolar o garoto com a história do fruto da árvore da sabedoria. Que ia ser legal, que isso, que aquilo e aquele outro. Que com isso poderiam conquistar um prazer maior que qualquer coisa que tinham experimentado até aquele momento. E o trouxa caiu. Achando que a fruta seria algo que poderia aumentar seu prazer. Que seria usada pra sacanagem. Então embarcou nessa canoa. A troco de quê? De se igualar a deus e conhecer a diferença entre o bem e o mal. Por ai vocês vêem qual cabeça de Adão estava no comando nessa época. Mas também o que podemos esperar de um cara que transa com a própria irmã e acha isso normal?
Tinha de tudo no paraíso, todas as árvores e todas as frutas. Bem podia ele ter escolhido a árvore do tempo. Comer um ou dois frutos e simplesmente transformar-se numa criatura una com o tempo. Um ser que atravessasse as eras e jamais sucumbisse as corrupções que os anos infligem a todos os seres vivos. Mas não! Ele tinha que dar ouvidos a mulher e a uma cobra mal intencionada.
E graças a ignorância de Adão, que não sabia o que comer, eu, tu, ele, nós, vós, eles estamos destinados a, na melhor das hipóteses, morrermos velhos e inúteis.
Amém.




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quinta-feira, dezembro 03, 2009

Tubarão, cervejas e capivaras

Pra quem não sabe estou perdido em Tubarão, cidade do sul do estado de Santa Catarina. Depois de virar a madrugada trabalhando e só dormir quatro horinhas, fui dar uma volta pelo centro da cidade. O dia bonito e um ventinho gostoso ajudaram no passeio. Talvez por eu não conhecer nada do lugar tenha sido tão difícil bater alguma fotos. Mesmo assim segue o que consegui captar.

Uma família de capivaras à beira do rio que corta o centro da cidade.

Família de capivaras.JPG

Chafariz à beira rio.

Chafariz.JPG

Calçada na beira rio.

Beira rio.JPG

E essa é uma pequena porção da vista que eu tinha da mesa do bar onde parei pra tomar uma cerveja ao meio-dia. Cerveja essa que foi servida estupidamente gelada por sinal. Gostei bastante do bar. Mesas na calçada, de frente pro chafariz, um ventinho suave. Valeu a pena parar pra molhar a garganta.

Vista da mesa do bar.JPG

Espero que da próxima vez que vier a Tubarão, eu possa conhecer algo mais dessa cidade. Alguma coisa me diz que ela tem bastante a oferecer.
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terça-feira, dezembro 01, 2009

Paixão ou Amor

A Paixão é arrebatada, brega, espalhafatosa e faz questão de que todos saibam que ela chegou. Usa mini-saia, top, salto-alto alto e maquiagem. A outra, Amor, é mais comedida e não tem necessidade de auto-afirmação. É segura de si. Usa calça jeans, regata branca, tênis, rabo de cavalo e um batom só pra disfarçar.





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segunda-feira, novembro 30, 2009

Vento

Desço o morro
Sinto o seu bater
Sem violência
No meu rosto
No meu corpo
Meus cabelos voam
Estou pronta
Para mais um novo dia
Em qualquer lugar
Sinto o seu movimento
Faz bem para a minha alma
Não importa se está frio
Ou se está calor
Você é bem-vindo
Meus pensamentos se ordenam melhor
Meu olhar fica mais atento
Minha audição capta o seu som
Você não tem cor
Não tem forma
Mas tem presença
Quando você some
Peço que volte logo
Você volta
Às vezes, fraco
Outras, forte
Subo o morro
Você vem comigo
Mais um dia chega ao fim
E agradeço a Deus
Por você existir
Meu querido vento.


A foto mostra a Praia de Fora que pertence ao município de Palhoça (SC).




Lu Vieira

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sexta-feira, novembro 27, 2009

No trabalho Nº10. Memória curta.

Cliente - Quanto fica pra consertar a grade da porta?

Serralheiro - Ainda não sei. Olha só aqui. Vou ter que soldar de novo e ainda tem o problema de quem fez isso aqui. Fizeram um servicinho porco. Só deram um ponto de solda e eu vou te que refazer tudo de novo. Quem foi que fez isso aqui?

Cliente - Você.

Serralheiro - ... Eu?

Cliente - Humhum.

Solda. Solda. Solda. Bate. Puxa. Bate. Solda.

Cliente - Quanto é?

Serralheiro - Nada não. Deixa pra lá.

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quarta-feira, novembro 25, 2009

Desencanto

Rapaz: Quem é você?

Moça: Quem você quer que eu seja?


Rapaz: Você mesma.

Moça: Dessa eu já me cansei.

Rapaz: Ah! Então deixa pra lá!

segunda-feira, novembro 23, 2009

Eu só quero ser feliz

Desde que comecei a escrever aqui, ando revirando o meu baú de recordações. Não costumo guardar tudo o que escrevo ou ganho. De qualquer maneira, a gente fica surpresa com as coisas guardadas das quais não se lembrava mais. Veja abaixo o que escrevi há tempo atrás. Cada palavra colocada foi pensada na forma de música. Relendo o texto, também pode ser entendido como poesia se eliminar as frases repetidas. Surpreendente constatar que a minha opinião continua sendo a mesma. Não mudei. Ainda penso que sou a responsável pela minha felicidade. Não é o meu namorado, noivo ou marido, Deus, amigos e parentes que vão me fazer feliz. Todos os dias procuro escolher algo que direcione para a minha felicidade. Difícil ser feliz diante de tantas dificuldades e injustiças no mundo de hoje, mas não é impossível. Por isso, o meu desafio é acertar nas escolhas para ser feliz.

Por onde for
Sempre haverá você
Foi muito bom te conhecer
Te guardarei em meu coração
Suas palavras,
Seu carinho,
Sua amizade.
Lembrar de você
Me faz feliz
E a minha felicidade não depende de você
Depende de mim
E eu escolhi ser feliz
A minha vida é ser feliz
Mesmo nos momentos difíceis,
Procurarei ser feliz
Porque a vida é feita de escolhas
E eu escolhi ser feliz
Eu só quero ser feliz,
Eu só quero,
Eu só quero ser feliz.
Não, não dá
Não, não dá pra viver
Sem ser feliz
Viver é ser feliz
Ser feliz depende de mim
E de mais ninguém
Só de mim
Eu só quero ser feliz
E eu sou feliz
Por ter conhecido você!

Uma foto do entardecer em Joinville (SC) para te dar um colírio nos olhos e na alma.


Lu Vieira

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quinta-feira, novembro 19, 2009

Raio atinge trem em Mafra

Estou em Mafra a trabalho e há poucos minutos, 22:30, observava pela janela do hotel a chuva forte que começava a cair. Trezentos metros a minha frente cai um raio. Vi o relâmpago e quando pensei em me preparar pro trovão este já ecoava em meus ouvidos. O raio atingiu um vagão de trem que passava pela cidade naquele momento. Pude ver pedaços incandescentes do vagão brilhando na noite.
Foi uma experiência emocionante. Nunca tinha presenciado a queda de um raio tão perto assim.

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quarta-feira, novembro 18, 2009

Parque Central de Caçador

Para quem não sabe estou perdido em Caçador a trabalho, mas como sempre tento dar um sabor de férias a esse tipo de viagem.

E pra minha sorte o que encontrei aqui ajudou-me bastante nesse intuito. Cheguei bem na semana de inauguração do Parque Central de Caçador. Apesar do dia corrido consegui passear por lá no final da tarde e fiquei muito feliz com o que vi. Mesmo com a inauguração do parque marcada para o próximo sábado ele já vem sendo utilizado pelas famílias de Caçador. Equipado com pista de caminhadas, ciclismo, cancha de bocha, xadrez, arvorismo, basquete, futebol de salão, aparelhos de ginástica pra terceira idade, aparelhos para alongamento e abdominais, lanchonete, vestiários e possivelmente mais algumas coisas que estou esquecendo. Localizado bem no centro da cidade, ao lado da rodoviária e do rio o local é de fácil acesso, fica próximo ao museu, terá acesso gratuito a internet via rede sem fio e promete ser o grande centro de lazer ao ar livre da cidade. Fora tudo isso ainda pretende-se que haja uma estrutura dedicada a divulgação de eventos artisticos e culturais.

Para garantir a segurança e a ordem no local e impedir que o espaço público vire um oba-oba haverá um regimento interno que disciplinará o uso das instalações do parque que ficarão sob a tutela da Fundação Municipal de Caçador e no local haverá a presença constante da guarda municipal que através de um posto elevado poderá monitorar a área de lazer.

Pra encerrar digo que mais prefeituras deveriam tomar esse tipo de atitude. Não sei nem quem é o prefeito da referida cidade, mas vejo que investir em áreas públicas para o lazer é algo de que estamos muito carentes no Brasil e que eu gostaria que o prefeito da minha cidade gastasse uma grana num parque assim também.

Ciclismo











Caminhada.












Museu









Escultura no parque









Flores











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sexta-feira, novembro 13, 2009

Lá vem Papai Noel

Ao contrário do que aconteceu no ano passado, veja aqui, em 2009 divulgarei a campanha logo no seu início. Se você gosta de ajudar as pessoas e no final do ano sente o espírito natalino invadir sua vida eis aí a grande chance de fazer algo de bom pelo próximo.

A partir do dia 16 de novembro começará oficialmente a campanha Papai Noel dos Correios. A partir dessa data, começam a ser recebidas as cartas encaminhadas pelas escolas públicas, creches e orfanatos para participarem da campanha.

Resumindo tudo fica assim. As crianças escrevem as cartinhas para o Papai Noel/Natal, o Correio verifica se a criança é de origem “humilde” leia-se comunidade carente, as cartinhas válidas ficam a disposição de pessoas como vocês para que sejam “adotadas”. Tudo muito simples. Leu. Comoveu? Adota a carta e dá um presente pra criança. Os correios se encarregam de entregar o presente totalmente de graça. Isso mesmo. Não cobra nada pra entregar na comunidade o presente que você deu.

Espero que esse ano mais pessoas possam contribuir nessa movimentação.

E vocês o que vão fazer pra ajudar alguém nesse final de ano?

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segunda-feira, novembro 09, 2009

Eu fui no "FireWhip"

Ganhei da minha amiga Ana um passeio no Beto Carrero World. Oba! Gosto muito de brincar nesse parque. Foi a quarta vez que me diverti no Beto Carrero. Obrigada, Ana!

A diversão foi realizada no feriado de 2 de novembro, dia dos finados. O sol apareceu para esquentar o nosso dia. “FireWhip” é o nome de um dos brinquedos oferecidos pelo parque. Esse eu ainda não conhecia e nem a Ana. Tanto ela como eu gostamos de atividades radicais. “FireWhip” é uma montanha-russa invertida. Anda a uma velocidade de quase 100 Km/h. Invertida, porque em vez de estarmos sentados num carrinho, ficamos com as pernas soltas em bancos pendurados no suporte superior. Veja a foto ao lado para você ter uma idéia de como é o brinquedo:

Há placas recomendando tirar todos os objetos pequenos que podem cair durante o trajeto do “FireWhip”. É preciso apoiar bem o pescoço e a cabeça no encosto do banco, ou seja, deixá-los firmes e seguros. Por causa da alta velocidade, se você não deixá-los firmes, eles vão ficar balançando pra lá e pra cá. Você sabe o que aconteceu comigo? Tenho deficiência auditiva e utilizo aparelho pequeno em cada ouvido. Para mim, eles fazem parte do meu corpo. Dê uma olhada na foto ao lado para ver como é um deles. Quando o brinquedo começou a correr, senti que o aparelho ameaçou escapar do meu ouvido esquerdo. Tentei colocar a mão na orelha, mas não consegui encostá-la por causa do volumoso suporte de segurança colocado no meu peito. Antes do desespero de perdê-lo tomar conta de mim, fiquei com a mão esquerda mais próxima possível da orelha. Ao mesmo tempo, gritei de alegria e medo. Nunca havia gritado tanto num parque de diversões. Geralmente os meus gritos são de alegria, de vencer o medo, de adrenalina. De repente, o aparelho esquerdo soltou da minha orelha. Consegui pegá-lo no ar, na curta distância entre a minha mão e o ouvido. Graças a Deus! Logo foi a vez do aparelho do lado direito começar a sair da minha orelha. Procurei apoiar a cabeça no lado direito do encosto do banco, o mais próximo possível do suporte de segurança a fim de que o aparelho não saia do meu ouvido. Com a mão esquerda segurava, com força, o aparelho que havia escapado e com a outra segurava no suporte de segurança. Não tive coragem de deixar as duas mãos livres do suporte. Afinal, estava com medo. Foi uma emoção muito forte. Mesmo preocupada em perder os dois aparelhos auditivos, pude observar e sentir a emoção de estar no “FireWhip”.

Quando a brincadeira chegou ao fim, eu e a Ana saímos com o corpo tremendo. No meu caso, creio que eu tremia mais por causa da quase perda dos aparelhos auditivos do que do medo dado pelo brinquedo de alta velocidade. Agradeci a Deus por estarmos bem e com os meus aparelhos auditivos em meu poder. A aventura valeu a pena! Na próxima oportunidade, irei novamente ao “FireWhip”. Mas sem os aparelhos auditivos, claro. Na banca instalada na saída do brinquedo, fomos olhar o vídeo do nosso desempenho. Sim, há uma câmera em cada banco. Podíamos levar o DVD por R$ 30,00 (trinta reais) ou a foto por R$ 15,00 (quinze reais). Decidimos pelo DVD. A Ana ficou com ele e depois farei uma cópia. Fomos relaxar nos brinquedos menos radicais. Quando a tremedeira foi embora, voltamos a brincar em outros brinquedos radicais como “Free Wall” (elevador) e “Big Tower”. Esses também dão aquele “frio na barriga”. No entanto, não ficamos com medo. Não se comparam com o “FireWhip”.

É impossível se divertir no Beto Carrero World por apenas um dia. Por isso vale a pena voltar lá mais vezes. Sempre há novidades e diversões para todo tipo de gosto. Se você vier a Santa Catarina, recomendo passear nesse parque. Ele é próximo das lindas praias catarinenses. Para passar o dia no parque, use roupas leves e confortáveis e vá, de preferência, de tênis. Leve mais roupas, pois há brinquedos aquáticos e você vai precisar trocar de roupa se escolher brincar neles. E não se esqueça do protetor solar. Quer saber mais sobre o parque? Acesse: http://www.betocarrero.com.br/

Lu Vieira

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sexta-feira, novembro 06, 2009

Blog instigante





Prêmio criado pelos blogs Osho-br e Koyanisqatsi


O selo de reconhecimento Blog Instigante premia blogs que, além da assiduidade das postagens e do esmero com que são feitos nos provocam necessidade de refletir, questionar e aprender.

Este selo foi-me enviado por
Escarlate, o que me surpreendeu muito.Muito obrigado moça.


Os blogues escolhidos são os seguintes:
Can you read my mind?

Calcinhas no Box

A regra era pra cada um escolher outros 07 blogues, mas como eu não gosto muito de seguir essas regras vou indicar apenas dois.
Por favor retirem o vosso selo.

Um abraço.

quarta-feira, novembro 04, 2009

A um amigo triste



Vives na solidão e te amargura


A inexistência da felicidade?


Sofres desesperada desventura


E desconheces a serenidade?




Se vives a dizer que a vida é dura


E o mundo ingratidão, deslealdade;


Se reclamas até da conjuntura,


Pra mendigar o pão da piedade?




Se pensas que direi: _ Pobre coitado?


Te enganas, não serás acobertado


Por minha pena, minha compaixão.




Só tu superarás as próprias dores.


Pois se ocultas o sol com dissabores,


Apenas sombras te acompanharão.




Conforme eu prometi ai acima está um dos sonetos do Hélio Cabral. Com o tempo postarei outros.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Viver ou existir

Amar sem sentir amada
Ser amada e não amar
Amores que deixou escapar
Palavras não ditas
Sentimentos não expressados
Problemas não resolvidos
Atitudes não tomadas
Beleza não mostrada
Sonhos não realizados
Desejos repreendidos
Buscas não feitas
Defeitos não eliminados
Qualidades escondidas
Falhas não admitidas
Erros não corrigidos
Oportunidades perdidas
Conhecimentos não adquiridos
Ensinamentos não aprendidos
Lazeres não curtidos
Sons não ouvidos
Músicas não executadas
Mensagens não lidas
Imagens não vistas
Lugares não pisados
Coisas não tocadas
Lágrimas não derramadas
Dores não sentidas
Pessoa próxima sem importância
Vida sem viver
Apenas existência.

A foto mostra a praia do Forte, em Florianópolis.

Lu Vieira

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segunda-feira, outubro 26, 2009

Adeus à infância

Abandonada entre diversos objetos que deixaram de ser utilizados na minha vida cotidiana, encontrei a minha agenda amarela com o “Snoopy” na capa que usei em 1993 e 1994. Folheando as páginas, emoções tomaram conta de mim. Nela estão registrados os meus compromissos, os pensamentos, as mensagens ou os recadinhos que recebi de minhas amigas, os meus “grandes” feitos tais como a primeira vez que assinei um cheque, a primeira vez que fiz vestibular... Coisas que não seria capaz de lembrar nos dias de hoje. Graças às anotações na agenda, estou tendo a oportunidade de relembrá-las. E lá também está uma poesia de minha autoria. Logo eu que sou ruim nessa área. Bom mesmo em poesia é o Hélio Cabral, um dos colaboradores deste blog. Registrei a poesia no dia 7 de julho de 1993 na agenda. Mas não foi nesse dia e ano que eu a criei. Não lembro exatamente quando isso aconteceu. Apenas que ela foi criada para o trabalho da disciplina de Português no colégio onde estudei boa parte da minha vida. Bem, chega de “blá, blá, blá”, vamos à leitura da poesia e espero que gostem:

De repente,
Deixo as bonecas no chão,
Deixo de brincar de casinha,
Deixo aquela vontade de brincar à toa.
O que será que houve comigo?

De repente,
Muda alguma coisa no meu corpo.
Parece que estou no corpo errado!
O que será que houve comigo?

De repente,
Começo a notar que meus amiguinhos são bonitinhos.
Parece que eu estava precisando usar óculos!
O que será que houve comigo?

De repente,
Dá aquela vontade de comprar uma agenda ou até um diário.
Nunca gostei de escrever numa agenda.
O que será que houve comigo?

De repente,
O beijo na boca que sempre via dos meus pais se torna emocionante.
Não vejo a hora de sentir essa emoção!
Espere! Nunca estive ansiosa por esse beijo.
O que será que houve comigo?

De repente,
Falo apenas dos meninos com as minhas amigas.
O que será que houve comigo?

De repente,
Coloco batom,
Compro roupas e sapatos que estão na moda.
Eu sempre comprava doces!
E não ligava muito para o mundo da moda!
Nem era tão vaidosa!
O que será que houve comigo?

De repente,
Dançar, ir ao cinema e tomar lanche com os meus amigos
Estão se tornando meus passatempos prediletos.
O que será que houve comigo?

De repente,
Ficar com papai e mamãe já era.
Agora, é a hora da independência.
O que será que houve comigo?

Mãe, está me entendendo?
Pai, está me entendendo?

O quê?
Não estou mais vivendo na infância?
Já fiquei adulta?
Entrei direto na velhice?
Não! Não! Não!

Lu Vieira

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sexta-feira, outubro 23, 2009

Citações Nº 35. Aldous Huxley


"A castidade é a mais anormal das perversões sexuais."

(Aldous Huxley)

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segunda-feira, outubro 19, 2009

O contador

O contador é aquele que narra alguma coisa, conta histórias. Também tem outro tipo de contador. É aquele que trabalha com números, ou seja, conta números, um contabilista. Hoje existe curso superior de Ciências Contábeis para formar o contador. No escritório do meu pai há um certificado colocado em moldura e pendurado na parede, veja:



É o Certificado de Habilitação de Guarda-Livros do meu avô paterno, obtido em 1932. Nessa época o guarda-livros é o equivalente ao contador de hoje.

Lu Vieira

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quarta-feira, outubro 14, 2009

Museu histórico de Itajaí

De novo a trabalho na cidade aproveito para perambular por suas ruas e conhecer um pouco do seu passado. E que lugar melhor para conhecer o passado de uma cidade do que o seu museu.

Numa hora de folga saí do hotel e aproveitei o maravilhoso dia de sol para me aventurar nas ruas de Itajaí. Foi fácil encontrar o Museu Histórico de Itajaí. Ele fica bem no centro da cidade. O calçadão passa em frente e a catedral é a vizinha do outro lado da rua. As chances de não encontrá-lo são praticamente nulas.

Quando cheguei ainda havia duas turmas de ensino básico visitando o local. Foi interessante observar como as crianças se interessam pelo que não conhecem e como as professoras dedicavam tempo e atenção a esclarecê-los sobre tudo o que viam.

O acervo contém objetos de uso familiar, impressos, propagandas, móveis, pistolas, espadas e obras do artista Dide Brandão. As exposições localizam-se no térreo e no primeiro andar. Há anos estive neste mesmo prédio e era mantida uma exposição no porão, mas após a enchente de 2008 ela foi desativada. Os objetos passaram por uma recuperação e no momento estão aguardando a inauguração de um novo museu que irá abrigá-los.


Museu Histórico de Itajaí.









Oratório






E um retrato, obra de Dide Brandão, da primeira miss Santa Catarina, Carmem Ehrhardt, a ficar entre as quatro finalistas do miss brasil.

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terça-feira, outubro 13, 2009

Este é um blog bom pra ler


Ganhei esse selinho da Carla, do blogue Leitura mais que obrigatória. Obrigado, moça.


Então vamos lá cumprir nossas obrigações.


  • Qual o livro que está lendo ou qual o último que leu?

Lendo "A árvore que dava dinheiro" de Domingos Pellegrini. Esse livro faz parte da coleção Vaga-lume, creio que muitos já tiveram contato com essa coleção na escola. No momento reunimos a família, e eu e minha esposa nos revezamos na leitura da história, nossa filha acompanha até pegar no sono.


  • Qual o livro preferido?

"O egípcio" de Mika Waltari. Um livro muito bem escrito que sempre toca o meu coração e me lembra do que é constituída a humanidade.


  • Autor, capa, recomendação ou sinopse?

Primeiro vem as recomendações, mas se já conheço o autor e ele me agrada compro assim que possível.


  • Aquele que não sai de sua cabeceira?

O que eu estiver lendo no momento.


  • Escritor preferido?

Charles Bukowski.


  • Eu não recomendo...

Auto-ajuda.


  • Este selo vai para...

Pra quem quiser participar. É só pegar e se divertir.



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segunda-feira, outubro 12, 2009

Não dê esmola

Você já viu uma placa como esta?



A placa acima está instalada ao lado dos semáforos das principais ruas de Joinville, minha terra natal. É um trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Assistência Social e faz parte do Programa Porto Seguro. Este é o link que trata do lançamento da campanha "Não dê esmola. Ajude de verdade": http://www.cvj.sc.gov.br/index.php?goto=noticias_view&cd=3654view&cd=3654


O meu último post, do dia 05 de outubro, tratava sobre os pedintes e que devemos cobrar mais ações do governo para ajudar o seu povo. A campanha em questão não é uma iniciativa boa do governo municipal? Cabe ao povo joinvilense acompanhar esse trabalho.


Lu Vieira


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quarta-feira, outubro 07, 2009

Onde comer em Blumenau. Pizza

Caso você venha para a Oktoberfest ou simplesmente esteja a trabalho e não conheça nada de Blumenau deixo aqui a recomendação de um lugar que gosto de freqüentar quando estou na cidade. Ontem jantamos em três lá. Uma pizza gigante de cinco queijos, calabresa e peperoni acompanhada de uma coca light. Saiu R$ 10,00 por pessoa. Posso dizer que éramos três homens bons de garfo e mesmo assim tivemos dificuldades para terminar a pizza. Muito queijo e calabresa. Realmente ela faz jus a denominação de gigante. A pizzaria fica perto do centro, tem estacionamento próprio, a pizza é uma delícia e o preço não pesa no bolso.


Ai segue uma foto da placa do local com alguns preços.


S5035822.JPG


Ai abaixo um mapinha com a localização aproximada do local.



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terça-feira, outubro 06, 2009

Blumenau de novo

Então mais uma vez graças ao meu trabalho retorno a esta linda cidade. Agora em uma época de festa e comemorações, quando o chope gelado da região está a disposição do paladar de todos aqueles que desejam se aventurar a experimentar novas texturas e sabores. É hora de desenferrujar as juntas e dançar tudo o que puder e o que for possível também. A vocês que tem a chance de vir a Blumenau no período da Oktoberfest recomendo que não deixem essa oportunidade passar e venham conhecer a gastronomia e um pouco da cultura desse povo.


Uma das coisas legais dessa nova viagem é que fugimos um pouco da BR-101 fazendo um outro caminho. Passando por Canelinha e Brusque. A estrada esta boa e vale pena curtir a paisagem. Abaixo segue um mapa com o caminho que fizemos.



E aqui a foto de uma igreja à beira da estrada.



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segunda-feira, outubro 05, 2009

Os pedintes

A inspiração para escrever este texto partiu da leitura feita na carta aberta de Eliane Sinhasique para o Renato Aragão, o Didi. Muitos receberam a carta por e-mail. A Eliane tem um blog e a carta está lá. Este é o link: http://sinhasique.zip.net/arch2008-09-21_2008-09-27.html Leia a carta dela para que você possa ler também o meu.

É difícil ficar um dia sem receber pedidos de doação em dinheiro, alimentos, roupas, materiais de construção, livros ou materiais escolares. Existem tantos impostos no Brasil que deveriam ser suficientes para suprir as necessidades básicas do povo. O dinheiro arrecadado está sendo mal usado ou roubado. Como nem todos os brasileiros têm acesso à educação, eles não sabem acompanhar as ações do governo e nem cobrá-lo. Em minha opinião, a educação é a base para se dar bem na vida. É com o estudo que o homem saberá cuidar de sua saúde, gastar melhor o seu salário, ter interesse em buscar novos conhecimentos, escolher uma profissão que lhe satisfaça, decidir o que fazer a cada situação da vida, etc. Educação deveria ser vista como investimento e não como despesa. Se os olhos do governo se voltassem para a educação, consequentemente os professores teriam mais ânimo e gosto de exercer a profissão e receberiam um salário melhor. Assim como a Eliane Sinhasique, sou a favor das escolas com horário integral para que as crianças tenham outras atividades tais como as artes e os esportes. A partir dali elas podem definir melhor o curso superior que deseja estudar. Sou ainda a favor de valorizar os cursos técnicos de nível médio. É uma forma de ir descobrindo e testando se a profissão lhe agrada.

Há diversas formas de esmolar. Podem ser feitas pessoalmente, por meio da televisão, rádio, jornais, internet, telefone ou carta. As entidades sem fins lucrativos que ajudam de alguma forma as pessoas com algum tipo de necessidade costumam pedir doação por carta, anexando boleto bancário ou solicitando o débito em conta bancária. Incrível! É como se essas doações virassem impostos. Quem faz doações mensais, deve verificar se o seu gesto surte bom efeito. Se doa há muitos anos, o problema pode não estar sendo resolvido de forma adequada.

Doações. Muitas doações. Das pessoas que se dirigiam pessoalmente em minha residência, as falas eram muito rápidas e decoradas. Procuro não doar em dinheiro. Costumo perguntar qual é a finalidade. Se responde que é para comprar comida, ofereço o que tenho em casa em vez de dar dinheiro. Se são remédios, peço a receita para eu mesma comprar na farmácia. Nem todos aceitaram o meu oferecimento. Arrumaram uma desculpa e foram embora.

Certa vez, eu estava lanchando na rodoviária de São Bernardo do Campo (SP), enquanto esperava o meu ônibus. Veio em minha direção uma mulher que pediu dinheiro. “Pra quê?” Ela respondeu que estava com fome. Então, ofereci comprar os salgadinhos da lanchonete onde eu comia e ela poderia escolher o que quisesse. Surpreendentemente, ela disse: “Não quero”. Desejava um “prato feito”, composto de arroz, feijão, algum tipo de carne, batata-frita e saladas. Perguntei onde tinha isso. Respondeu apontando com o dedo indicador: “É só atravessar a rua que ali tem um restaurante com prato feito”. Não consegui ver o lugar direito. “Sinto muito, não posso sair da rodoviária, pois o meu ônibus pode aparecer a qualquer momento”. Ela foi embora e continuou a abordar outras pessoas. Se a mulher estava com fome mesmo, ela aceitaria comer qualquer coisa. Nunca se sabe qual é a verdadeira intenção das pessoas. Não dá para confiar 100%.

Falando em veracidade e confiança, nem sempre vamos saber se ajudamos de acordo com a história do pedinte. Uma vez a minha alma se alegrou muito para uma pessoa que mereceu ser ajudada. Estava de folga na casa de meus pais e havia visto na TV e no jornal sobre uma família que perdeu tudo o que possuía em casa num incêndio. Dias depois, apareceu uma mulher de bicicleta batendo palmas em frente à casa de meus pais. Lá fui eu atendê-la. Certamente era mais uma pedinte. Ela não pediu dinheiro. Necessitava de roupas e de qualquer coisa que eu não usasse mais. Era a mulher que eu vi na TV. Logo iniciamos um bate-papo. Doei minhas coisas. Em bom estado, claro. Pedi para ela voltar outro dia, pois minha mãe não estava em casa e poderia dar mais para ela. Graças ao que havia visto na TV e no jornal, eu tinha uma forma de checar que a história dessa mulher era verdadeira.

Não sou contra a doação. Sou contra ao excesso de pedidos de doações, pois isso mostra que o governo não faz a sua parte. Palmas para a Eliane Sinhasique por sua brilhante e corajosa carta. Está mais que na hora de cobrar mais do governo. E acompanhar as suas ações.


Lu Vieira

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quinta-feira, outubro 01, 2009

Por que odeio Águas de Palhoça?

E o que a princípio poderia ser uma boa idéia revela-se uma grande lambança. Pra quem não sabe, a distribuição de água e o tratamento de esgoto em Santa Catarina eram exploradas pela Casam uma estatal que detia o monopólio sobre esses serviços. Um dia um iluminado sugeriu que seria melhor para os municípios que cada um tivesse sua própria compahia de abastecimento e tratamento. Ponto pra ele. É claro que o foco não era o bem estar público, mas a criação de mais um cabide de empregos municipais. Onde os caciques locais poderiam pendurar os seus capangas eleitorais.


A autonomia para gerir os recursos hídricos e aplicar as verbas de acordo com as necessidades da população e os ideais declarados, foram esquecidos imediatamente após a criação das companhias municipais.


Essa pequena introdução foi para mostrar como surgiu a companhia Águas de Palhoça. O fato de odiá-la deve-se a alguns pequenos fatos tais como minha conta de água ficou mais cara, não existe atendimento de emergência aos domingos, a manutenção é terceirizada e quando tu ligas em busca de auxílio uma empresa fica empurrando para a outra e ninguém assume a responsabilidade sobre nada.


E o meu caso foi bem simples, chuva torrencial no sábado e a tubulação de esgoto da minha rua entupiu. Embaixo d'água não havia muito o que fazer, por isso nem me estressei. Porém no domingo a chuva tinha parado e o esgoto vazava a céu aberto. Liguei para a empresa e me informaram que não atendiam esse tipo de emergência nos domingos e que a minha solicitação seria repassada aos responsáveis na segunda-feira. Segunda cheguei de tarde em casa e a situação continuava a mesma. Liguei novamente pra empresa e me disseram que existia uma única solicitação de conserto, feita pelo Fulano na tarde daquele mesmo dia. Espinafrei a atendente e reforcei o pedido de manutenção. Terça-feira entrei no site da companhia e registrei uma reclamação. Até o momento não houve retorno.


O problema só foi resolvido na tarde de terça feira. E é por essas e outras que eu odeio a Águas de Palhoça.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Oração íntima



Que a minha vida totalmente seja


Na prática do bem, da caridade;


Não permitindo que qualquer maldade


Venha, assim, perturbar minha franqueza.




Que eu tenha no meu sangue só bondade;


Que eu lute pelos fracos com firmeza


E estenda as minhas mãos pela pobreza


Em busca da justiça e da igualdade.




Que eu possa repartir o pão que tenha;


Que em minha casa o adoentado venha


Amenizar o sofrimento e a dor...




Que eu faça da atitude uma receita.


Que a minha vida seja apenas feita


De gestos de carinho e muito amor.




Conforme eu prometi ai acima está um dos sonetos do Hélio Cabral. Com o tempo postarei outros.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Guerra no volante?

Irmã - Imagine quando ele fizer 18 anos, a gente vai brigar muito para ver quem dirige o carro do pai.

Irmão - Não vai ter briga, o que vai haver é SOBERANIA.

Amiga - Ah, mas isso é TIRANIA!

Lu Vieira

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sexta-feira, setembro 25, 2009

No trabalho. Nº 09. Gafe.

Funcionário - Como tá teu tio?

Chefe - Espero que esteja melhor.

Funcionário - Faz tempo que não tem notícias dele?

Chefe - Faz um mês que ele morreu.

Funcionário - ...

quarta-feira, setembro 23, 2009

Eu carteiro

Queria vir aqui dizer que o serviço é fácil e que esse povo todo não passa de um bando de vagabundos, mas não vai ser hoje que eu direi isso. Há uma semana tenho encarnado vida de um carteiro e agora digo que a cidade não tem pena de ninguém. Não importa a cor da pele ou do uniforme. Lá fora o bicho pega e não alivia.

Estamos em greve e por lei temos que manter trinta por cento do efetivo trabalhando. Estou no meio dos trinta. Jogaram uma Fiorino 1.4 na minha mão e mais um distrito de malotes. A primeira coisa que você sente é a desorientação. É na hora da entrega que cai a ficha dizendo que tu não conheces a cidade onde mora. As ruas se emaranham numa enxurrada de becos, avenidas e vielas. Sem placas, sem informações. Desviando de pedestres e de veículos guiados por loucos suicidas. Subindo e descendo escadas. Carregando peso e perguntando a Deus e ao mundo para onde é que você vai.

O clima é um fator todo especial. Dele depende a sua jornada de trabalho. Se fizer sol, o trânsito flui bem, porém o calor vai te queimar e o suor vai escorrer e quando o fim do dia chegar você estará implorando por um chuveiro. Se chover, tudo piora. O trânsito não anda. A lista de entrega molha e esfarela, enfia-se o pé na água e na lama.

No final do dia tudo que resta é um corpo alquebrado e a certeza de um trabalho bem feito. Pode parecer um serviço cruel e desumano, mas apesar das agruras tem o seu lado bom. Conhecer melhor a cidade em que vive e outras pessoas, trabalhar ao ar livre, passar o dia inteiro longe do chefe e aumentar o respeito por esses profissionais que tantas vezes são ignorados e menosprezados.

L.S. Alves

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terça-feira, setembro 22, 2009

Dia da Árvore

A comemoração foi no dia 21 de setembro. Pensei na importância da árvore no último fim de semana. E ela fez companhia para mim. Fiz pedalada na Beira-Mar Norte de Floripa e passeio no horto florestal e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nessas atividades tive a alegria de ter as árvores junto de mim. Sentada embaixo da sua sombra aconchegante, li um livro de poemas, outro de biografia e observei as pessoas, o trânsito, o mar. Sempre olho para a árvore quando vou sentar no banco ou no chão. Observo seu tronco, suas raízes, seus galhos, suas folhas, se há frutos ou flores, seu tamanho, suas cores, se há algum pássaro ou inseto... E adoro fotografá-la.

Na infância, durante as atividades artísticas, seja na escola ou em casa, dificilmente a árvore não aparecia no meu desenho. Veja a ironia: desenhar uma árvore numa folha de papel. Papel que vem da árvore! Já imaginou viver sem ela? A vida ficaria sem a graça do verde. Aliás, a cor verde, para mim, sempre é associada às folhas das árvores. Uma das minhas brincadeiras prediletas era colocar lama no tronco da árvore. Quando a chuva ia embora, saía de casa para brincar com o barro. Pegar a terra molhada e mole em minhas mãos era uma sensação maravilhosa. Dava forma a ela ou colava no tronco das árvores. Na minha imaginação infantil, queria dar mais cor aos troncos.

Deus não iria criar uma árvore à toa. Ela está aí porque é importante para a nossa vida. Se lembramos do Dia da Árvore, consequentemente lembramos também de cuidar de tudo o que há na Terra: pessoas, água, animais, ar, plantas. Para terminar, faço a minha homenagem com fotos que tirei no último fim de semana. Veja algumas delas e procure curtir mais as árvores próximas de você:

Lu Vieira

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segunda-feira, setembro 21, 2009

Eu assumo os meus cachos

Essa frase está sendo dita em muitas revistas voltadas para o público feminino. As mulheres que possuem os cabelos naturalmente crespos ou cacheados estão deixando de usar cabelos lisos. Nunca entendi a febre das mulheres em tê-los lisos. É lindo de ver quem possui cabelos cacheados e bem cuidados. Não vou entrar na discussão de que não é fácil tratar dos cachos. Questiono a beleza e a moda.

Estou gostando de ver as atrizes como a Débora Bloch e a Taís Araújo exibindo os seus cachos. Para mim, elas são muito mais bonitas assim do que com cabelos lisos. Eu entendo que elas já alisaram os seus fios por conta de seus personagens. Só não entendo o motivo das outras mulheres que não são atrizes ou modelos alisarem os seus fios. “Ah, Lu, é moda!” Sempre a moda. Muitas querem ser parecidas com as outras. Se você deseja chamar a atenção, a mim não vai conseguir. Em minha opinião, é como ver o mesmo mar. O mar de muitas cabeças com cabelos lisos. Olho para um lado e depois para outro, e parece que estou vendo as mesmas mulheres. Muitas delas com cabelos compridos. Lisos e compridos. Hoje noto que há mais cabeças femininas com cabelos crespos. Oh, que legal! Uma visão diferente.

Você já viu um homem alisar seus cachos? Pode até ter conhecido um assim, mas não é comum. Os homens não têm aquela “neura” de ter cabelos lisos. As mulheres deveriam seguir o exemplo dos homens. Exibir o que tem de natural. Se seu cabelo é liso, cuide dele e mostre a sua beleza. Da mesma forma, se o seu é crespo, cacheado ou ondulado, cuide dele e valorize a sua beleza. De vez em quando, pode mudar o seu cabelo por causa de alguma ocasião especial como uma formatura ou um casamento. Caso o seu cabelo seja crespo, alise só para participar dessa ocasião especial. Evite fazer isso sempre. Assuma o que você tem.

Eu tenho cabelos lisos, mas sempre quis tê-los cacheados. Minha irmã tem cabelos ondulados e queria que fossem lisos. Minha mãe disse: “Que tal vocês duas trocarem de cabeças?” Já fiz duas vezes permanente. Na primeira vez, os meus cachos ficaram lindos e combinaram com o meu rosto. Muitas vezes saí de casa sem necessidade de penteá-los. Uma maravilha para quem tinha preguiça de cuidar dos cabelos. Com o tempo, eles voltaram a ficar lisos. Na segunda vez, o resultado ficou um horror. Até hoje não sei exatamente o que aconteceu. A cabelereira foi a mesma. Nem ela conseguiu explicar o desastre. Aprendi a lição. Tenho que assumir os meus fios lisos. Hoje se quero ver meus cabelos de forma cacheada, uso bobes à noite e, no dia seguinte, tenho o resultado desejado. Ou então, como estou com cabelos longos, faço trancinhas e depois solto os fios que ficam ondulados.

Enfim, viva as mulheres que assumem os seus cachos! Viva as mulheres que assumem os seus cabelos lisos!

Pessoal, a ilustração foi feita pela jujucartoon especialmente para este texto. Conheça o blog da artista: http://jujucartoon.blogspot.com/

Lu Vieira

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quarta-feira, setembro 16, 2009

Greve nos Correios.

O correio entrou em greve, fui destacado para dar suporte na distribuição.
A partir de hoje trabalho como carteiro.
Quando der retorno com notícias e fotos.


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segunda-feira, setembro 14, 2009

Dia da Independência do Brasil

A comemoração do Dia da Independência do Brasil já passou. Foi em 7 de setembro. Assisti o desfile em Florianópolis, ato que não fazia há muitos anos. Não foi exatamente um desfile para valer. O que assisti aconteceu antes da entrada do local do desfile. Vi o preparo e o ensaio das pessoas que iam desfilar. Assim, comecei a refletir sobre a importância desse dia. Será que vale a pena comemorar esse dia num país tão problemático como o nosso? Para mim, sim. Muitas coisas precisam ser melhoradas, principalmente o caráter dos brasileiros.

No momento, estou decepcionada com o Brasil. Claro que o país possui muitas qualidades boas, mas vejo inúmeros defeitos que existem há muito tempo e que ainda não foram eliminados. Há muita importância ao ter. O brasileiro quer ter o emprego dos seus sonhos, ter imóvel próprio, ter o carro do ano, ter muito dinheiro, ter roupas que estão na moda, ter um corpo magro e malhado, ter um marido ou uma mulher sexy, ter muito sexo... Uma lista infinita de ter. Sinto que o ter prevalece sobre o ser.

O ser que vejo atualmente está no aspecto negativo. O ser corrupto está em alta hoje, principalmente entre os políticos. Se alguém diz que fulano de tal é corrupto, ele se defende que não é e culpa o outro que quer prejudicá-lo ou se diz perseguido por alguém. Não quero ficar criticando apenas os políticos, pois em minha visão eles são o retrato do próprio povo. Não encontramos a corrupção apenas em órgãos públicos. É possível achar em empresas privadas, igrejas, escolas e até nas casas familiares. Corrupção não significa apenas desviar dinheiro de um para si próprio. É também mudança de caráter: do bom para o mau.

Não condeno o ter. O que não pode haver é o excesso de valorização do ter. Da mesma forma, não pode existir tantas pessoas corruptas. No nosso país, quem erra, principalmente os brasileiros que não são pobres de renda financeira, mas pobres de caráter, sempre escapa da penalidade. É o tal do “jeitinho brasileiro”. Jeitinho para pagar menos, jeitinho para ganhar algo que não merece, jeitinho para se livrar da prisão, etc. Poucos admitem que erraram. Poucos pedem perdão. A culpa é sempre do outro. Será que o José Sarney, o atual escândalo político, vai se livrar da punição pelos seus erros? Se olharmos todos os políticos que foram acusados de corrupção, dá para contar nos dedos quantos foram presos? As pessoas costumam passar a mão na cabeça de quem errou: “Coitadinho! Vamos dar um jeitinho para você se livrar dessa situação.” Muitos pais possuem essa mesma atitude com seus filhos.

Por outro lado, o político que ocupa um cargo público deveria se lembrar que foi escolhido pelo povo para que todos tenham boas condições de vida. É pensar e agir para o bem de todos e não em benefício próprio. Deveria ser um bom exemplo de caráter para o seu povo, assim como o pai para o seu filho. Deveria pensar que o cargo que ocupa não é um emprego. É uma causa nobre: ajudar o seu país a ter ordem e progresso como diz a bandeira do Brasil.

Então, há muito que fazer pelo Brasil. Tenho esperança que dias melhores virão e que brasileiros serão pessoas melhores. Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I gritou a célebre frase: “Independência ou Morte!”, quando o sentido era para se livrar de Portugal. Em minha opinião, devemos gritar de novo essa frase com o sentido de se livrar da corrupção. Ou devemos gritar assim: “Honestidade ou corrupção!”?

Postado por Lu Vieira

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sexta-feira, setembro 11, 2009

Deixa a chuva me levar

Noite chuvosa. Mais que chuvosa, parecia que as Cataratas do Iguaçu estavam descendo das nuvens. Ainda para completar, ventava muito. E o vento sul entrava nas frestas da parede, trazendo algumas gotas de chuva e muito frio.
Tião em seu casulo queria apenas dormir. Se o dilúvio acontecesse ele ficaria boiando em sua cama quentinha por quarenta dias e quarenta noites, até que aparecesse alguma pomba, ou sabe lá qual pássaro com um ramo de oliveira (era oliveira?) em seu bico anunciando terra firme.
Fora um dia terrível. O patrão cismou de encrencar com ele. Justo naquela sexta-feira nublada. Ter que trabalhar no sábado. Era só o que faltava. Tirava os sábados para jogar seu dominózinho do bar do Melo até às três da tarde. Sempre com muita gelada e tira gosto a vontade. Depois ia pra casa tirar um ronco até às sete da noite e depois ficava vendo tevê até de madrugada.
_ Diabos! Zeca cismou em ganir uma hora dessas! O que esse desgraçado quer? Tem comida, tem água, tem uma casinha que não tem tantas goteiras quanto a minha, e ainda fica ganindo?!
Onde a vontade e a coragem de sair debaixo das cobertas para ver o que o cachorro queria? Mas a peste não parava de latir e de ganir e com esse barulho todo não consegui pegar no sono. E ainda por cima amanhã tinha que acordar cedo pra trabalhar. Desgraça!
Ficava torcendo para o cachorro parar de ganir, dava umas batidinhas na parede e sussurava pela fresta _Vai dormir Zeca! Mas qual, aí mesmo que o vira-latas gania.
_Vai lá ver o que é Tião. Ele pode estar enrolado na corrente.
Valdete também tava acordada? Aconchegou-se a mulher, mas um cotovelaço esfriou suas vontades.
_ Sai Tião. Vai logo ver o que aquele bicho quer!
_ Diacho!
Levantou-se tropeçando nas panelas que estavam no chão por conta das milhares de goteiras. Manteve o equilíbrio para não escorregar no chão frio e úmido.Acendeu a luz da rua, esperou um pouquinho pra ver se Zeca parava de ganir mas não teve jeito. Tentou abrir a porta, mas qual, ela estava emperrada por conta daquela chuvarada. Deve ter estufado com tanto água. Forçou, forçou mas não conseguiu abrir. Sussurrou alguns palavrões e encaminhou-se à janela.
Abriu a janela e pode ver Zeca, todo encharcado, enrolado no cano da antena da tevê. Bicho burro, pensou. Como pôde se enrolar daquele jeito.
Zeca quando o viu começou a se agitar, quase derrubando a antena. Tião só tinha um jeito, pular a janela.
Chuva, vento, frio, madrugada, cansaço, tédio, raiva por ter que trabalhar no sábado, o cachorro perturbando. Bem que nunca quis aquele pulguento. Sua cunhada que o trouxe e convenceu sua esposa a tomar conta dele.
Tião apoiou-se na janela, lembrou-se que estava descalço, mas já era tarde, depois lavaria os pés, pulou em cima de uma madeira que estava totalmente ensaboada com a chuva, não pôde equilibrar-se e se estatelou de costas no chão. Percebeu que não era apenas o sabão da chuva, mas, também, o cocô do Zeca.
_ Cão miserável!
Tião levantou-se totalmente sujo, dolorido e encharcado. Zeca a essas alturas estava cabisbaixo e silencioso, amedrontado, pois seu instinto já lhe dizia que iria sobrar pra ele. Até porque ele fora o protagonista de toda aquela confusão.
O primeiro pontapé acertou as costelas do cão que soltou apenas um pequeno gemido de dor, o segundo acertou-lhe a cabeça, o que fez doer mais o pé do Tião do que a parte acertada do cachorro, até porque nosso herói estava descalço. Tião conseguiu alcançar a corrente e soltou o cachorro que desabaladamente pulou a cerca e desapareceu.
_Vai filho de uma égua, desaparece e não volta mais! Gritou Tião.
Voltou para a janela e assustou-se vendo Valdete lhe olhando com uma cara de ódio e repreensão.
_ Desenrolei aquele desgraçado e ele fugiu. Foi o que pode dizer entre gaguejos sem graça.
_ Você é um desalmado, bater em um bichinho inocente e indefeso. Seu ignorante, grosso. Agora vais dormir aí na casa do Zeca para aprender. Antes que Tião pudesse articular qualquer palavra, Valdete bateu-lhe a janela na cara, quase lhe atorando os dedos.
Ainda protestou e bateu na janela, pedindo que ela abrisse, mas como viu que seria impossível e a vizinhança já começava a reclamar, não teve escolha senão se encolher na casa do Zeca, e passou a noite ali, molhado de corpo alma e coração, com cheiro de cocô e de vez em quando soltando um ganido que não sabia se era de frio ou de indignação.

Hélio Cabral Filho

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terça-feira, setembro 08, 2009

A menina que roubava livros

Ganhei de presente da minha esposa. Não fosse esse gesto de carinho creio que este livro jamais entraria para minha biblioteca. Gostaria de dizer que isso seria uma perda irreparável e blá, blá, blá, etc. Mas o fato é que o volume é apenas um passatempo aceitável.


A história é narrada pela Morte e passa-se nos tempos da Alemanha nazista. Onde acompanhamos a trajetória de Liesel Meminger, a menina que roubava livros. A Morte é pretensiosa e se da ares de grandeza, sua figura é tão chata que me dá vontade de viver eternamente para ser poupado de um tête-à-tête com tão tediosa criatura. É fato que ela não é a personagem principal, entretanto, esperava muito mais personalidade por parte dela.


A protagonista, uma menina alemã magrela órfã de pai comunista, separada da mãe pelo estado e que viu o irmão morrer ao seu lado dentro de um trem cheio de párias da sociedade germânica. Entregue aos cuidados de uma família de estranhos descobre as primeiras letras, prazer pela leitura, o valor da confiança e o peso das responsabilidades que separam o mundo infantil do adulto. Entre as responsabilidades que servem de limiar encontra-se a tarefa de manter um judeu escondido no porão por vários meses seguidos. Há espaço para aventuras infantis e descobertas da pré-adolecência, tais como o primeiro beijo.


O livro apresenta algumas intervenções gráficas, livros desenhados pelo hóspede judeu, que considero interessantes, não sei se inovadoras, mas com certeza interessantes e muito bem vindas, pois tiram de cima da trama central os olhos do leitor. Dando um alento positivo a obra.


Fora isso não há muito que escrever sobre esse livro.


"Aos 30 anos, Zusak já se firmou como um dos mais inovadores e poéticos romancistas dos dias de hoje. Com a publicação de A Menina que Roubava Livros, ele foi batizado como um "fenômeno literário" por críticos australianos e norte-americanos. Zusak é o autor vencedor do prêmio de quatro livros para jovens: The Underdog, Fighting Ruben Wolfe, Getting the Girl, Eu Sou o Mensageiro (I am the Messenger), receptor de um 2006 Printz Honor por excelência em literatura jovem.Mais novo de quatro filhos de um austríaco e uma alemã, o escritor mora com sua esposa e filha em Sidney, na Austrália." Trecho retirado daqui.


Deixo minha recomendação para aqueles que apreciam leituras suaves para passar o tempo. Àqueles que gostam de saborear algo mais substancioso indico não desperdiçar tempo com essa história.

Editado: Para aqueles que quiserem uma opinião diferente recomendo esta resenha publicada no blogue Leitura mais que obrigatória.


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segunda-feira, setembro 07, 2009

Dunga & Eu

Ter um cachorro é bom. Ter um cachorro chow-chow é muito bom. Logo, os leitores estão pensando que sou uma pessoa que adora cachorro chow-chow. Sim, vocês estão certos. Quando vejo um, fico maluca. Paro para apreciá-lo aonde quer que ele esteja. Se estiver acompanhado do dono, pergunto sobre o cachorro. Em muitas caminhadas ou pedaladas que fiz em Floripa, um dos apelidos de Florianópolis, não era difícil cruzar com um chow-chow. Muitas pessoas devem ter pensado que eu estava admirando ou paquerando o dono, mas se enganaram. Mal reparava no dono, eu só tinha olhos para o chow-chow. Vocês sabem como é o cachorro dessa raça? Deem uma olhada na foto abaixo:


Uma fofura, concordam? O cachorro da foto era o Dunga que viveu com a minha família até fevereiro de 2008. A principal característica do chow-chow é a língua azulada. O Dunga era um chow-chow sem “pedigree”.

Durante a minha infância, adolescência e início da juventude, não tive cachorro em casa. Não que eu e meus irmãos não gostássemos de cachorro. Nós sabíamos que quem iria cuidar dele seria a minha mãe. Queríamos o cachorro só para brincar e ter a sua companhia. A minha mãe já tinha muitas responsabilidades. Então, não ficávamos insistindo em ter um cachorro.

A primeira vez que eu vi um cachorro chow-chow foi em Floripa, quando morava com a minha tia em 1994. Era estudante de Biblioteconomia e ia e voltava da faculdade de ônibus. Certo dia, dentro do ônibus, vi dois cachorros espetaculares. Nunca tinha visto igual a eles. Na verdade, eu me perguntei se eram mesmo cachorros. Pareciam dois leões em miniatura. A casa onde eles viviam não era muito longe donde morava. E não perdi tempo de ir vê-los mais perto. Soube que era um macho e uma fêmea. Toda vez que pegava ônibus, procurava sentar no banco onde dava para olhar esses seres graciosos.

Abandonei o curso de Biblioteconomia e voltei para Joinville. Anos depois, a namorada do meu irmão, hoje esposa dele, comprou um chow-chow com três meses de vida. Como morava em apartamento e vendo que o animal não era pequeno como pensava, ela perguntou se a minha família queria ficar com ele por alguns meses até terminar a construção de sua casa. Eu nunca havia imaginado que um dia teríamos cachorro em nossa casa. Nunca imaginei que seria um chow-chow igual ao casal que tanto gostava de vê-los em Floripa.

Quando a casa da namorada do meu irmão ficou pronta, o Dunga foi morar com ela. Apesar da casa dela ser próxima da nossa, foi difícil me acostumar sem tê-lo por perto. A namorada do meu irmão não gostou de vê-lo destruir o seu quintal. Novamente ela veio perguntar se nós queríamos ficar com o Dunga, dessa vez de forma definitiva. Claro! Ele já havia destruído boa parte das plantas de nossa casa. Minha mãe conseguiu fazer com que não destruísse as plantas de um canteiro de trás da casa. Como gostava de correr no quintal de nossa casa! Gostava de comer o que nós comíamos. Costumava colocar as suas patas dianteiras na mesa e olhava para a gente como se estivesse implorando: “Dá um pedacinho pra mim, por favor!” Conseguimos acostumá-lo a comer ração misturada com pedaços de carne.

Tínhamos que tomar muito cuidado com o portão da casa. Deveria estar sempre fechado. Caso contrário, ele disparava para a rua. Diversas vezes, conseguiu fugir. O meu coração ficava aflito e já imaginava ele sendo atropelado. Quando levávamo-lo para passear, era preciso segurá-lo com muita força na corrente. A alegria dele era tanta que acabávamos sendo arrastados por ele. Não adiantava puxá-lo. Quando o cansaço tomava conta dele, era nesse momento que conseguíamos andar lado a lado. Como éramos novatos em lidar com cachorro, percebemos tardiamente que ele precisava de um adestrador. Apesar dessa falha, conseguimos conviver de forma harmoniosa.

Certa vez, aconteceu algo extraordinário. Cheguei em casa após um dia de trabalho e coloquei o carro na garagem. Entrei em casa para guardar os meus pertences. Havia uma cesta básica que ganhei do trabalho no porta-malas do carro. Então, voltei para o carro, abri o porta-malas, peguei alguns produtos da cesta básica, olhei para o outro lado e... O PORTÃO ESTAVA ABERTO! Rapidamente, virei e olhei para o Dunga que se encontrava sentado na frente da porta da casa. E, imediatamente, sem correr, fui em direção ao portão para fechá-lo. Inacreditável! Ele não tentou fugir! Ficou tranqüilo e vendo o que eu fazia.

Ele foi meu modelo fotográfico predileto. Quando cursava Jornalismo, havia aulas de fotografia. As máquinas fotográficas que utilizávamos eram profissionais. Hoje esses equipamentos são mais práticos, pois as imagens são digitais e podemos ver como elas ficaram na tela da própria máquina e do computador. No tempo da faculdade, não havia essas facilidades. Então, para dominar o uso da máquina fotográfica profissional, treinei bastante tendo o Dunga como modelo. Afinal, ele sempre estava disponível para mim. A foto do lado foi fruto do meu treinamento.

Na clínica veterinária onde o Dunga era tratado, as pessoas diziam que ele era o único chow-chow manso. Outros chows-chows eram brabos. O Dunga era considerado o cachorro “zen”. Ele não costumava ficar latindo à toa. Só latia quando havia presença de perigo ou alguém estranho ou com atitude suspeita. Só de olhar para a sua aparência, as pessoas ficavam assustadas ao passar na frente de nossa casa. Alguns diziam que era filhote de urso, outros, filhote de leão.

O Dunga tinha um inimigo. Era o Nero, um vira-lata preto da vizinha de frente de nossa casa. O Nero podia sair e voltar para casa sozinho. Às vezes, ele ficava sumido por um bom tempo. Certa vez, eu estava levando o Dunga para passear quando o Nero veio em nossa direção. Ele atacou o Dunga. Tentei separar os dois e não deixei o Dunga machucá-lo. Apesar de ser mais novo, já era mais forte que o Nero. Pronto, os dois se tornaram inimigos. Era engraçado ver os dois, cada um na sua casa, correndo pra lá e pra cá, latindo e olhando um para o outro. Quando o Nero morreu, o Dunga ficou triste. Por vários dias, ficou quieto olhando para a casa onde o Nero morava. Ele gostava do seu inimigo. Ou talvez nem fossem inimigos.

Um dia o Dunga também partiu. Quando isso aconteceu, eu já vivia novamente em Floripa. Minha família e o cachorro continuaram morando em Joinville. Não sabemos a causa de sua morte. Antes de levar à clínica veterinária para banho semanal, meu pai percebeu que ele estava fraquinho. Precisou carregá-lo para colocar no carro. À tarde, a clínica ligou para o meu pai avisando que ele estava bem e já podia buscá-lo. Chegando lá, o Dunga tinha acabado de falecer. Meu pai não quis fazer a autópsia por conta do alto custo. As suspeitas foram que ele faleceu por causa da idade avançada ou do osso estranho que foi encontrado em nossa casa. Talvez o osso estivesse envenenado. Ele tinha 8 anos.

A última vez que vi o Dunga, ele estava com os pelos curtos. Ia para Joinville em alguns fins de semana. Havia dito a ele: “Na próxima vez, quero te ver todo peludo de novo!” Não houve a próxima vez. Deixou saudades e marcas de uma boa convivência. A foto do lado foi a última que eu tirei dele.

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