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sexta-feira, janeiro 02, 2015

Doutor Sono

Depois de um longo período consegui terminar a leitura de "Doutor Sono" a obra mais recente de Stephen King. O livro é a continuação da obra clássica "O iluminado" e conta o que acontece com Dan Torrance o protagonista do livro anterior. Uma criança com dons extraordinários e que sobrevivera horrores terríveis no primeiro livro. Agora já adulto ele segue os passos do pai lutando contra o alcoolismo e tentando viver com a sua iluminação. Apesar de uma revelação meio
bizarra, tipo novela mexicana, na parte final da trama o livro cumpre muito bem seus objetivos. Diverte sem se complicar.
Dos textos que li desse autor afirmo que nada jamais foi tão cinematográfico quanto este livro. As descrições,  as cenas e até mesmo a montagem parecem que foram criados para a tela grande. O que não é desmérito nenhum. Pois não ofende os leitores antigos e conecta-se fortemente à massa de possíveis leitores que cresceram alimentados pelas telas do cinema, tv e pc.
Interessante notar que além das caracteristicas citações a música pop neste livro temos uma ou outra menção a obra Harry Potter de J.K. Rowling.
Li e recomendo esse livro para todos que gostam de uma boa obra de terror.



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quinta-feira, maio 05, 2011

A decisão de César - Steven Saylor


O autor é colaborador do canal de televisão History Channel, onde analisa questões sobre a política e a vida romanas.

Neste livro acompanhamos as aventuras de Gordiano, também chamado “O Descobridor”, no Egito do século I a.c. A personagem é um cidadão romano que atua como uma espécie de detetive particular, sendo o protagonista de uma série de nove livros, Roma Sub Rosa. Por isso ao longo da novela temos a impressão de que pegamos o bonde andando, o que não deixa de ser verdade. Mas isso não chega a atrapalhar a leitura, visto que, a história está completa em si. Mesmo com referência a fatos ocorridos em outros livros não há nada que comprometa o prazer desta leitura.

Gordiano, a esposa, um escravo forte e duas crianças escravas formam o núcleo familiar que sai de Roma para o Egito a fim de encontrar uma cura para a doença misteriosa que atinge Bethesda, a esposa do personagem principal.

Na mesma época chegam ao Egito, Pompeu e César. Generais romanos que disputam o controle do império. Nesse período o país encontra-se dividido em dois partidos. A turma do Ptolomeu e a turma da Cleópatra.

O destino faz com que o investigador seja envolvido nas disputas de poder dos reis e generais. Após presenciar o assassinato de Pompeu, Gordiano é acolhido na corte de Ptolomeu onde passa a acompanhar  a guerra travada entre os herdeiros do reino egípcio que se odeiam e ao mesmo tempo buscam desesperadamente o apoio de César e do seu exército. Além do poder no Egito os irmãos também disputam a pose do coração de César. Segundo o autor, o general gostava de meninos e meninas também.

Em meio a todas as intrigas palacianas ocorre um envenenamento e o principal suspeito é o filho adotivo de Gordiano, um jovem oficial que divide o leito com César e morre de ciúmes de Cleópatra. Quando as investigações levam o livro para uma solução óbvia, o autor arma uma reviravolta para nos prender até o final do volume. Apesar do final de novela das oito, o livro agrada pelo contexto histórico, apresentação de Alexandria e pelo mistério do assassinato.

Recomendo como leitura leve e prazerosa. Além de conhecer um pouco mais de história romana e também do caráter das multidões egípcias, tão evidentes nos eventos políticos nesse ano de 2011.



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terça-feira, abril 05, 2011

Rapsódia em Agosto

E o meu primeiro dia de aula foi mais interessante do que eu esperava. Logo na entrada duas opções de filme pra analisar. Infelizmente o Mazzaropi, Casinha pequenina, que a professora trouxe não pode ser usado por causa do sistema de som da sala que não permitia ouvir claramente os diálogos. Ficamos então com a segunda opção e fomos de Akira Kurosawa.
Rapsódia em Agosto foi lançado em 1991 e conta a história de quatro crianças que passam as férias de verão com a avó enquanto seus pais vão ao Havaí visitar um possível parente rico. A vovó, uma sobrevivente da bomba de Nagasaki, vive isolada no campo e não acredita que o homem do Havaí seja realmente um de seus numerosos irmãos. As crianças não parecem muito adaptadas à vida que a idosa leva e sonham juntar-se aos seus pais na viagem. Reacionários a princípios os jovens vão pouco a pouco sucumbindo ante a paciência, boa vontade e narrativas da anciã. Como pano de fundo temos a história de Nagasaki e a bomba atômica, evento que mudou a vida da vovó ao fazer-lhe viúva ainda jovem e que ao longo do filme é mostrado de diversas formas.
O que eu mais percebi no filme foi a forma como a idosa aproximou-se dos netos e através deles conseguiu atingir os filhos. Os pais das crianças foram criados num Japão dominado pelos americanos e onde estavam proibidas as manifestações culturais que valorizassem as tradições japonesas. Tornaram-se uma geração que apesar de ter recentemente sofrido um duro golpe desferido pelos americanos, ainda assim desejava tornar-se igual aos seus opressores. Prensados entre a mãe e os filhos eles começam a rever algumas atitudes e pensamentos que estavam em desacordo com o que a matriarca da família esperava deles.
Também observei como a cidade de Nagasaki é sempre mostrada como uma paisagem queimada e sem vida, mesmo sendo uma grande cidade o diretor faz questão de tirar-lhe a humanidade. Enquanto na casa da vovó há árvores, arroz, água, enfim, vida.
A professora ressaltou-nos a fragmentação das imagens, tudo no filme é fragmentado, não há paisagens inteiras, não há grandes visões. Cortes secos e câmera fixa são mais características desse filme.
Um filme bonito, com uma história rica em interpretações e simbologias. Vai agradar as pessoas que tem mais paciência para assistir um filme. Mas é um bom programa pra quem não tem medo de refletir depois que as luzes se acendem.



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segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Uma história de Grande Porte - Roberta Fraga


Roberta Fraga é mãe, trabalhadora, leitora voraz e escritora também. Talvez a mistura mágica da maternidade com a índole escritora tenham levado à escrita sobre um tema pra lá de espinhoso. A depressão infantil. Se no caso dos adultos um diagnóstico já é complicado, imagina quando são as crianças a sofrer! Eis aí uma das maiores qualidades do livro, meter a cara num local por onde poucos andaram e onde muitos ainda tem medo de pisar.

O livro escrito numa linguagem atraente não subestima os leitores nem salga demais o prazer da leitura. Apesar da história fluir para um final feliz o que mais destacou essa leitura lá em casa foram as perguntas que a minha filha fez. Caso pudermos medir o sucesso de um trabalho pelas questões que ele levanta, então "Uma história de Grande Porte" já é um sucesso.

Se a história corre bem fica a minha ressalva sobre o livro. Àqueles que encontrarem essa obra numa biblioteca ou numa livraria mal informada podem não aproveitar tudo o que o livro tem a oferecer. Na leitura que fiz minha filha notou que o bichinho tinha algum problema. Mas aos adultos a charada só morre quando revelamos que o livro trata da depressão infantil. Ou seja, valia a pena um pouco mais de informação na contracapa ou nas orelhas do livro.


A parte gráfica foi analisada pela Juliana Panchiniak. Destaque para o trabalho de Danyllo Carvalho que coloriu as ilustrações de Cláudia Cappelli. E para a ilustração da página 21 também há um destaque, pois a ilustração atingiu com perfeição a proposta de traduzir em imagem tudo aquilo que o texto traz.

Uma obra que vale a pena ser conhecida e que abre caminho para que em breve encontremos mais trabalhos de Roberta Fraga pelas bibliotecas da vida.

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quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Lista de leitura 2011

A idéia é registrar aqui minhas leituras durante o ano e se possível publicar as respectivas resenhas.


  1. A decisão de César - Steven Saylor
  2. Depois da escuridão - Sidney Sheldon & Tilly Bagshawe
  3. Via satélite. Histórias de um correspondente internacional - Hermano Henning
  4. Memórias de Emília - Monteiro Lobato
  5. Hamlet - William Shakespeare
  6. No coração do mar - Nathaniel Philbrick


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quinta-feira, janeiro 27, 2011

Outra volta do parafuso

Uma novela de terror, ou de loucura, escrita por Henry James. Possivelmente o mais famoso trabalho do autor o que me parece muito estranho, pois a qualidade da história recomenda a leitura de outras obras do autor. Com certeza essa novela deve figurar no panteão dos livros de duplo sentido, ao lado do grande conto de Guy de Maupassant "O Horla".
Tudo começa numa reunião de amigos onde surge uma história de fantasmas envolvendo uma criança. Então um dos presentes sugere uma outra historia só que agora com duas crianças que é pra dar outra volta no parafuso ou seja tornar o caso ainda mais terrível que a história anteriormente narrada. Dessa forma surge o manuscrito de uma jovem preceptora que aceita a tarefa de educar um casal de crianças numa remota propriedade rural. A única exigência do patrão, um playboy sedutor, era jamais ser incomodado com assuntos referentes aos sobrinhos que ele deixava aos cuidados dela.
Jovem, humilde e sem experiência de vida ela deixou-se iludir pelos encantos do seu empregador e aceitou uma árdua  tarefa sem refletir sobre as possíveis consequencias de sua escolha.
Logo ela se vê frente à frente ao mais encantador  e perfeito par de crianças de todo o mundo. Tão perfeitos que possivelmente despertaram o desejo de obscuras criaturas do mundo dos mortos. Pouco tempo depois de sua chegada sons, pressentimentos e aparições começam a por em xeque a sanidade e os nervos da preceptora. Podendo contar apenas com o apoio de uma fiel governanta os dias se passam em busca do equilíbrio mental, da proteção das crianças e da solução do mistério que envolve as aparições.
O que eles querem?
Eles realmente existem?
As crianças sabem sobre eles?
O que fazer para salvar as crianças?
E o que elas tem de tão especial?
Henry James não vai dar as respostas. Creio que nem mesmo ele as tinha. E aí está aquilo que eu considero a genialidade da obra. Apesar de todas as aparições, sustos e coisas estranhas a única que podemos ter certeza de que vê alguma coisa é a jovem tutora. E como ela mesma põe em dúvida a própria sanidade ficamos o tempo todo entre acreditar ou não acreditar nela. O que nos leva ao final do livro que termina sem bater o martelo sobre os fantasmas serem de verdade ou não. O autor conduz a história com segurança levando-a a momentos de angústia, incerteza e desespero. A novela não é demasiado curta ou excessivamente longa. Começa num ritmo lento e vai aumentando conforme se aproxima do fim. E o clímax só é atingido na última frase do livro.
Com um final seco e sem mais explicações ele arremata uma ótima obra.
Segundo pequena biografia no final do livro o autor "atravessou uma profícua fase fantástica, cuja obra-modelo foi, sem dúvida, Outra volta do parafuso, culminando com os antológicos romances Os Embaixadores e A Taça Dourada."
Pelo que li nessa obra não terei receio em adquirir um outro trabalho de Henri James. Um escritor que recomendo sem medo. (Para aqueles que gostam de sentir medo)


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terça-feira, janeiro 11, 2011

Via Satélite

Pra variar andei lendo mais um livro escrito por um correspondente internacional. Assim como o César Tralli o que se nota é que as crônicas ficam muito melhores que as reportagens apresentadas nas Tvs. Hermano Henning, descente de alemães, vindo do interior paulista e criado dentro dentro rádio usa esse livro pra mostrar um pouco da sua vida como repórter.
O livro de Henning é mais focado na construção de sua carreira e no histórico do jornalismo, rádio, jornal e TV que ele acompanhou desde o início da década de 60.
Com várias histórias do tempo do rádio e da revista veja ele mostra o que era trabalhar com jornalismo em São Paulo dos anos da ditadura. O Joelma e Herzog são capítulos importantes do livro. Há também capítulos dedicados a Londres e Colonia e como os alemães faziam jornal usando técnicas e ferramentas de cinema para conseguir sempre uma qualidade superior. Mas o livro fica quente mesmo quando são contadas as histórias sobre o Aconcágua e a Antártica. Presente na primeira expedição brasileira a cruzar o circulo polar antártico. A viagem do Barão de Teffé em 82/83 foi uma travessia que por si já valeria um livro. Dentro de um navio velho os expedicionários brasileiros enfrentaram tudo o que é necessário para transformar uma viagem numa grande aventura. Problemas nos geradores, intrigas entre os militares, atrito com os argentinos, tempestades em alto mar e a quebra do motor que levou o navio a derivar no Mar de Weddel por 18 horas seguidas.
Talvez aí esteja o único pecado da obra. O autor esteve três vezes no continente gelado, dedicou 62 páginas, 04 crônicas, a ele. Extraiu de lá as melhores partes do livro. Deveria ter ido mais fundo e dedicado o livro todo a Antártida e as histórias dos brasileiros por lá..
Vale a pena ler o livro, se não ele todo, pelo menos as quatro crônicas finais e aquela que fala do Aconcágua.
 
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quarta-feira, outubro 06, 2010

Uma história de peso

Título do livro de Osmar Santos, representante comercial de Joinville que correu contra a obesidade. Tive a oportunidade de conhecê-lo brevemente durante uma palestra na empresa onde trabalho. Fiquei com uma impressão boa do homem que contou a sua história de transformação de vida e com desejo de saber mais dele. Adquiri o seu livro e a curiosidade se satisfez com a leitura de “Uma história de peso”.

Filho mais velho de uma família paulista com sete crianças, Osmar passou a sua infância e o início da juventude no campo. Era magro e saudável. Desde as primeiras páginas do livro, o autor conta a sua história relacionando os seus hábitos alimentares. Como muita gente do interior, ele também sonhou em ir à cidade grande em busca de melhores condições de vida.

Em São Paulo, Osmar iniciou a sua jornada de homem urbano. Voltou a estudar, conseguiu emprego, uma casa confortável, o primeiro carro, casou, teve dois filhos... Mas a saúde? Não ficou melhor. Foi piorando sem ele dar o devido valor. Mesmo com alguns alertas, o autor continuou vivendo sem se importar por ser tachado de gordo.

Não é minha pretensão contar aqui qual momento Osmar resolveu virar o seu jogo. Porém, digo uma coisa: a leitura do livro “A Semente da Vitória”, de Nuno Cobra, foi a mola propulsora para o autor correr em direção à melhoria de sua saúde. Evidente que ele lutou contra a vontade de comer bastante e a preguiça de fazer exercícios físicos. Precisou descobrir qual atividade lhe dava mais prazer. Tornou-se praticante de atletismo. Devagarzinho o seu estilo de vida mudou para melhor com o auxílio dos profissionais de educação física e da área médica e o apoio de sua família e amigos.

Profissionalmente, Osmar quase sempre atuou na área de vendas. O espírito de vendedor não o abandonou na nova empreitada: traçou metas para melhorar a sua saúde. Entre elas, conseguiu a façanha de participar da famosa Corrida de São Silvestre. Proeza que ele continuou nos anos seguintes. Não quis a conquista só para si mesmo. Escreveu a sua biografia com entusiasmo e intenção de inspirar o leitor a fazer a mesma coisa que ele. Da mesma maneira, Osmar faz como palestrante em empresas e escolas.

Faço algumas observações quanto ao livro “Uma história de peso” de primeira edição: há erros excessivos de digitação e de pontuação, palavras repetidas num mesmo parágrafo e ao longo do capítulo, ausência de índice e o depoimento da professora Alessandra Salomão Blank aparece duas vezes no capítulo “Depoimentos” nas páginas 204 e 219. Faltou uma revisão mais detalhada. Por meio do site do autor, soube que o livro dele está em segunda edição e espero que essas falhas tenham sido eliminadas. Visitem o site e vejam as fotos de antes e depois do Osmar: www.osmarsantos.com.br

Lu Vieira

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quinta-feira, julho 22, 2010

Capitães da areia

Se tem uma coisa que definitivamente não posso reclamar é a minha sorte com os livros. Sebos, pontas de estoque, presentes e faxinas sempre foram generosas comigo. E foi assim, numa faxina que eu ganhei este livro e mais alguns outros desse autor.
Para os mais novos talvez seja uma surpresa, mas Jorge Amado já foi a expressão máxima do escritor brasileiro no mundo. É isso mesmo que você ouviu. Antes do evento
Paulo Coelho
o Brasil literário se fazia conhecer pelos livros de Jorge Amado. E lá fora o Brasil era a Bahia com toda sua malandragem, macumba, fé, sincretismo, coronelismo e sensualidade.
O livro trata da saga pela sobrevivência nas ruas de Salvador. Onde um grupo de menores de idade se organizam numa quadrilha que se esconde num barracão abandonado à beira mar e se auto-denominam "Capitães da areia". Dedicados a pequenos golpes e furtos essas crianças lutam diariamente para conquistar as refeições e evitar serem recolhidos ao reformatório baiano, lugar de horror e torturas. Liderados por Pedro Bala, que como a maioria deles também é orfão, as crianças só encontram auxílio no Padre José Pedro, homem simples e de bom coração e na Mãe de Santo Dona Aninha, que estende seu carinho e hospitalidade a todos os Capitães da areia.
Com personagens ricos como Pirulito, que sonha ser padre, Volta Seca que deseja lutar ao lado de seu padrinho Lampião, Professor que é alfabetizado e pintor, Sem Pernas um aleijado que odeia a tudo e a todos, Gato um jovem estiloso e trambiqueiro, Boa-Vida um malandro que deseja viver em Salvador dedicando-se a boêmia e mantendo a maior distância possível de qualquer espécie de trabalho. Dispondo dessa riqueza de personagens Jorge Amado nos leva para caminhar pelas ladeiras da capital, o porto, suas igrejas e terreiros. Mostrando-nos o melhor e o pior de Salvador. Tudo pelo ponto de vista de crianças que vivem como homens e nos poucos momentos de folga sonham em aproveitar as coisas boas e simples da vida de crianças. É gostoso ler como J.A. humaniza personagens que não hesitam em passar a navalha no inimigo e por outro lado se maravilham com um velho carrossel caindo aos pedaços.
Além do amor sensual também há o amor puro, arrebatado, romântico e adolescente. E o amor tem nome. Seu nome é Dora. Uma orfã que se une aos Capitães da areia e que entre eles encontra vários papéis para desempenhar. Mãe, irmã, amada e também a persona de musa inspiradora, desejada, porém fora de alcance.
Não bastasse tudo o que foi citado acima não dá pra deixar de comentar o lado engajado de J.A. que transparece nas origens de Pedro Bala. Seu pai teria sido um estivador grevista morto pela polícia durante uma manifestação. Os assuntos greve, comunismo e desigualdade social surgem em várias partes do livro. Ora na voz do padre, ora na voz de estivador, ou nas palavras duras do bispo.
O autor sempre teve muita propaganda, principalmente porque vários livros seus tornaram-se novelas e filmes de sucesso, Tieta, Gabriela, O Bem Amado, Dona flor e seus dois maridos e outros mais. Agora posso dizer que ele merece toda essa propaganda e todos os créditos, pois sua escrita é deliciosa e maestral. Um autor que merece/precisa ser lido tanto no Brasil quanto no mundo.

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quarta-feira, junho 02, 2010

Na natureza selvagem

Título do livro do jornalista americano Jon Krakauer, lançado em 1998. Christopher Johnson McCandless é um jovem que sempre se destacou por sua habilidade atlética e inteligência. Sente-se descontente com a situação social dos Estados Unidos. Após concluir a faculdade com brilhantismo, doa suas economias para a caridade, abandona seu carro e a maioria de seus pertences, adota outro nome, arranja empregos temporários e nunca mais dá notícias suas aos pais. Dois anos depois, é encontrado morto num lugar ermo e gelado no Alasca. Essa introdução é para dizer um dado importante: não se trata de uma história inventada.

Quando trabalhava na revista “Outside”, Krakauer recebeu a tarefa de reportar as circunstâncias que levaram Chris McCandless, um jovem rico, a abandonar a família e um futuro promissor e a morrer sozinho no frio do Alasca. Após a publicação, o jornalista teve o desejo obsessivo, como ele próprio define, de compreender o comportamento e a trajetória do rapaz. Assim, resolveu refazer os caminhos percorridos por McCandless, aproveitando a sua experiência de ser montanhista.

O autor conversou com diversas pessoas que cruzaram com McCandless. No livro, Krakauer compara a vida do jovem com a história de outros aventureiros solitários que também tiveram fim trágico para entender as atitudes de McCandless.

O resultado do trabalho de Krakauer é uma leitura envolvente e dá a ideia de estar diante de um texto romanesco. Na contracapa do livro está escrito que se trata de uma história verdadeira, mas com todos os ingredientes de um romance de ficção. Enquanto lia o livro, eu senti Krakauer como meu representante para desvendar a trajetória do aventureiro. Conheci o livro “Na natureza selvagem” por meio da minha amiga Adriana. Tempos depois o usei como fonte na minha monografia de conclusão do curso de Jornalismo.

Como li esse livro anos atrás, o que me fez recordá-lo foi encontrar um cartaz na internet sobre o filme “Na natureza selvagem”. Filme? Sim, dirigido por Sean Penn. Opa, vou ficar antenada para ver quando vai estrear no cinema. Fuçando mais a internet, descobri que o filme foi lançado no início de 2008! Poxa, passou despercebido. Tudo bem, posso alugar o filme. Enquanto não assisto na versão cinematográfica, estou aqui contando como é o livro. Sou daquelas pessoas que preferem ler primeiro o livro e depois ver a mesma história no cinema. Para mim, até hoje o que está no livro é melhor do que na telona. Já pensou se a pessoa vê a história primeiro no cinema e pode não ler o livro por não gostar do filme? Então, siga este conselho: o livro primeiro e depois o filme. Afinal, quem realizou o filme, leu o livro!

Retornando à história de McCandless, creio que há muitos jovens com desejo de se aventurarem sozinhos em lugares diferentes. É uma jornada para se conhecerem mais e melhor. Necessidade de saber como “eu penso”, “eu sou”, etc. De refletir sobre a vida em geral. De apreciar o que não conhece. Se não consegue isso na juventude, é possível que as pessoas irão fazer depois. Não estou dizendo que é para fazer a mesma coisa que McCandless como largar tudo e abandonar a família sem dar notícias. Cada um encontra uma forma de buscar a paz no espírito. É preciso querer fazer isso, sem causar sofrimento aos seus familiares e amigos.

Além de “Na natureza selvagem”, Krakauer escreveu “No ar rarefeito” (1998), “Sobre homens e montanhas” (1999) e “Pela bandeira do paraíso – Uma história de fé e violência” (2003). Sobre o filme dirigido por Sean Penn, sugiro saber mais clicando neste site. Quando eu assisti-lo, pretendo contar aqui as minhas impressões.

Lu Vieira

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domingo, abril 25, 2010

O vinho da alegria

Já tinha feito uma postagem aqui prometendo dar minha opinião sobre esse livro; então vamos lá.

Essa não é a primeira obra que leio deste autor, antes deste eu já havia lido Farenheit 451, logo a expectativa era enorme.

O livro trata de um verão na cida de Douglas Spalding. O ano? 1928. Durante um passeio no bosque o menino de 12 anos descobre que esta vivo. Após esse momento mágico de lucidez e revelação o mundo se abre diante de seus olhos e nada mais será o mesmo. Sorvendo cada dia como se fosse o último Douglas mostra-nos a cidade de Green Town. Município que abriga os mais inusitados habitantes. Duas bruxas, o inventor da máquina da felicidade, um assassino em série, uma senhora que ninguém acredita que um dia tenha sido jovem, um jovem jornalista que se apaixona por uma mulher idosa e vários outros personagens que entram e saem da vida do menino.

A princípio o livro pareceu-me arrastado e pouco interessante, mas conforme as páginas iam passando e o meio do verão foi chegando a narrativa engrenou e de repente me vi tão envolvido pela história que já estava totalmente incapaz de abandonar o livro no meio do caminho. Com sua genérica cidade interiorana Ray Bradbury consegue por-nos diante de situações inerentes a todos os seres humanos, a partida do melhor amigo, inveja entre vizinhas, a aproximação da morte e a busca pela felicidade. Tudo isso ele conseguiu encerrar dentro da sua minúscula cidade e no pequeno intervalo de tempo formado por um verão.

Não é um livro que eu recomendo a todos. Mas se você já leu algo dele e quer ampliar seu conhecimento essa é uma obra que vale a pena, ou se você gosta de devorar livros creio que este será um apetitoso quitute para o seu paladar.

Observações:

Na edição da Editora Nova Cultural foram encontrados os seguintes erros:




  • Página 63, 3º parágrafo --> "No instante eu que..." deveria ser "No instante em que..."



  • Página 89, 1º parágrafo --> "nas lateriais" deveria ser "nas laterais"


  • Página 158, 3º parágrafo --> No mesmo parágrafo Lavínia Nebbs aparece como Lavínia Bebbs.

Há outros erros, mas acredito que os exemplos acima sejam suficientes. No fundo nada que destruísse a obra, todavia creio que tanto o autor como nós leitores merecíamos um pouco mais de cuidado na hora da revisão.

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terça-feira, abril 13, 2010

Depois daquela viagem

É o título do livro autobiográfico de Valéria Piassa Polizzi. Ela conta como o vírus da AIDS entrou na sua vida, o viver sem falar que o possui e o viver depois que revelou para todas as pessoas do seu convívio que tem a AIDS. Ela descobriu a doença aos 18 anos de idade antes de uma viagem para os Estados Unidos, pois se queixava de uma dor no estômago. Na época de sua descoberta, a AIDS era dita como uma doença que atingia apenas os gays e havia poucas mulheres contaminadas. Os próprios médicos ficaram surpresos com Valéria ser portadora do HIV. Não é preciso dizer aqui a reação da jovem. Desconfiou, claro. Alguma coisa estava errada nos resultados dos exames. Quando se confirmaram que tem mesmo o HIV, ela não conseguia mais fazer planos em longo prazo para a sua vida. Escutava e via o tempo todo as propagandas com estes dizeres: “AIDS mata”. Ouvia o “tique-taque” do relógio. Não conseguia dizer que é soropositiva. Os próprios médicos a aconselharam a não contar. O preconceito era muito grande. Penso que ainda é. Somente os seus pais e seus tios mais próximos sabiam da história. Seus pais não conseguiam conversar sobre o assunto com ela. A única pessoa com quem Valéria conversava se sentindo como uma pessoa com AIDS era a psicóloga Sylvia. No seu livro diz: “Mais difícil do que ter o vírus da AIDS era ter que fingir que não tinha”.

Eu me lembro das propagandas “AIDS mata”. Eram de assustar mesmo. Quando Valéria descobriu ser soropositiva, eu estava com 15 anos de idade. Foram ditas muitas coisas absurdas na época. “Não beijem na boca de quem tem AIDS”. “Não encostem no sangue”. “Não sentem no vaso sanitário”. Na escola, eu e meus colegas tínhamos medo. Valéria conta de uma palestra nada esclarecedora que assistiu no seu colégio. Como falavam que a AIDS só atingia as pessoas promíscuas, os usuários de drogas e os gays, davam a entender que o restante das pessoas estava longe de se contaminar com o vírus. A jovem já sabia ser portadora do HIV, mas não conseguiu criar coragem para contar a sua história naquela palestra. Era virgem e nunca usou drogas. Como se contaminou? Na relação sexual com o seu primeiro namorado, quando tinha 16 anos de idade. E sem usar a camisinha. Ela conheceu o rapaz durante uma viagem de navio para a Argentina no Natal de 1986 com o seu pai e sua irmã mais nova. Já estavam namorando havia seis meses quando resolveram transar pela primeira vez.

Viajou duas vezes aos Estados Unidos já sabendo ser uma moça com o HIV. A primeira viagem foi em 1989 e ficou hospedada na casa de seus tios. E a segunda, em 1993, quando estudou inglês em uma universidade de San Diego e viveu em alojamento para estudantes. Nesse país percebeu que não se falavam “AIDS mata”. Lá se diziam sobre a prevenção e como quem tem o vírus deve se cuidar. Antes de ir aos Estados Unidos pela segunda vez, chegou a fazer uma faculdade no Brasil. Abandonou, porque concluiu que não daria tempo de viver naquilo que iria estudar. Como no Brasil falavam que quem possui o HIV conseguia viver por 10 anos, Valéria fez as contas e viu que o décimo ano de sua vida com AIDS seria exatamente o ano que terminaria a faculdade. Viajar e estudar inglês ao mesmo tempo era o que queria fazer. Valéria não viveu reclusa. Pelo contrário, desejou e conheceu pessoas de diferentes países e culturas.

“Depois daquela viagem” foi escrito em linguagem simples, na forma de bate-papo. Parece se destinar ao público jovem. No entanto, a leitura é interessante para todo tipo de público, especialmente aos pais, médicos, educadores e pessoas que conhecem alguém ser portador do HIV. Para mim, a leitura foi bastante envolvente e me deu muitas reflexões como, por exemplo, não conhecer nenhum amigo com vírus da AIDS. Graças a Deus, nenhum dos meus amigos o tem. Mas... E se possui? Conte-me. Não vou deixar de ser sua amiga só por causa de um vírus.

Além de relatar a sua história e dos alertas dados sobre os cuidados para não contrair o HIV, Valéria também trata da violência que sofreu do seu primeiro namorado. E aconselha não ter vergonha para denunciar tal ato. Faz um agradecimento aos doadores de sangue que ela precisou tanto nos momentos mais difíceis.

Gosto de registrar como um livro parou em minhas mãos. O exemplar de “Depois daquela viagem” que está comigo pertence ao meu amigo Luís Antônio, ex-colega de trabalho. Ele o emprestou para mim após uma conversa sobre um livro que eu havia lido e ele citou a história de Valéria. Obrigada, Luís Antônio! Faço questão de constar aqui o meu agradecimento à autora por escrever de forma corajosa. Ela resolveu escrever por insistência de seus amigos após ficar muito doente e ser hospitalizada. Transcrevo trecho do livro dela:

“Já devia ter começado a escrever há algum tempo mas, como escrever sobre a vida da gente não é nada fácil, vivo adiando. Ainda hoje me ligaram a Priscila e o Cristiano, e os dois me cobraram:
- Já começou a escreveu o livro?
Não. E já teria desistido se na semana passada não tivesse ido na Sylvia e, por coincidência ou sei lá o quê, ela tivesse dado a mesma ideia: escrever. Eu disse que já havia pensado naquilo, só que achava muita responsabilidade.
- Não escrever também é – ela respondeu. E isto não saiu da minha cabeça a semana inteira.”

Após “Depois daquela viagem”, lançado em 1997 e traduzido na Itália, Alemanha, Áustria, Portugal, Espanha e em diversos países da América Latina, Valéria escreveu mais livros não autobiográficos:

- “Papo de Garota” (2001) – compilação de crônicas publicadas na revista “Atrevida”, onde foi colunista;
- “Enquanto estamos crescendo” (2003) – livro de crônicas, onde criou personagens ficcionais;
- “Grandes amigos – Pais e filhos” (2004) – com vários autores.

Hoje Valéria participa de seminários, encontros e mesas redondas e dá palestras em escolas e faculdades sobre o tema AIDS. Casou com um austríaco e descasou. Concluiu o curso de Comunicação Social - Jornalismo em 2007. Trabalha como jornalista e cursa pós-graduação em Criação Literária. E... Adivinhem? Ela tem um blog! Visitem: http://valeriapiassapolizzi.blogspot.com/

Lu Vieira

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quarta-feira, abril 07, 2010

Lista de leitura 2010

A idéia é registrar aqui minhas leituras durante o ano e se possível linquar as respectivas resenhas.

  1. Capitães da areia - Jorge Amado
  2. O Vinho da Alegria - Ray Bradbury
  3. História das Cruzadas. Vol I - Joseph François Michaud
  4. O Senhor dos Anéis. A Sociedade do Anel - J.R.R. Tolkien
  5. História das Cruzadas. Vol II - Joseph François Michaud
  6. História das Cruzadas. Vol III - Joseph François Michaud
  7. A Pro - Garth Ennis
  8. O Senhor dos Anéis as Duas Torres - J.R.R. Tolkien
  9. Outra volta do parafuso - Henry James
  10. O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry



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segunda-feira, março 22, 2010

Bolshoi e Giselle

Bolshoi significa grande em russo. No dia 15 de março foram comemorados os 10 anos da fundação da primeira Escola de Teatro Bolshoi no Brasil. É a única escola fora da Rússia, donde fica a matriz. O Festival de Dança, que acontece uma vez por ano no mês de julho, foi um dos fatores favoráveis à escolha de Joinville para ser filial da Escola Bolshoi. Este ano o Festival de Dança de Joinville chega na 28ª edição. Os bailarinos da Escola Bolshoi em Joinville festejaram o décimo aniversário colocando em prática o seu aprendizado: dançando.

Foram três noites de apresentação. Na primeira, exatamente no dia que completou 10 anos, foi apresentado o espetáculo “Don Quixote”. Eu não estava presente para prestigiá-lo. Na segunda noite, o clássico “Giselle” deu o ar da sua graça. Eu fui assisti-lo. Os alunos do Bolshoi estrearam esse espetáculo com louvor. Já havia visto “Giselle” anos atrás com outro grupo de bailarinos. É uma história de amor e tragédia contada pela primeira vez na dança em 1841. No terceiro e último dia foi a Noite de Gala, quando foram apresentadas várias coreografias representando as culturas de outros países, além do Brasil, como “A Morte do Cisne”, “Dança Francesa”, “Valsa das Flores”, “Dança Maracatu” e “Gopak”. Também vi esses espetáculos.

Os dois primeiros parágrafos apenas introduzem sobre o que realmente desejo tratar: o espetáculo “Giselle”. Não quero dizer que foi o espetáculo que mais gostei. Todos os que assisti foram excelentes. Como “Giselle” possui uma coreografia longa, dividida em dois atos, permite extrair várias observações.

Coube a Natalia Osipova interpretar a personagem principal. A bailarina russa veio especialmente a fim de apresentar juntamente com os alunos do Bolshoi em Joinville. Além dela, veio também o bailarino russo Ivan Vasiliev para encarnar o personagem Albrecht.

Na história, Giselle é uma camponesa que se apaixona por Albrecht. Ela se decepciona ao saber que Albrecht é um nobre disfarçado de camponês e já tinha uma noiva. Além de Albrecht, o caçador Hilarion também é apaixonado por Giselle. É ele quem descobre a verdadeira identidade e o denuncia. Ela se deprime e morre de tristeza. Esse é o primeiro ato da coreografia, com cenário alegre e colorido assim como as roupas dos bailarinos.

No segundo ato mostra o que acontece depois da morte e do enterro da camponesa, com cenário sombrio e escuro. O espírito dela se torna refém das “willis”, fantamas das garotas que morreram também por decepções amorosas. As “willis” expulsam qualquer presença masculina em seu reino. Myrtha, a rainha, tenta introduzir Giselle no mundo das “willis”. Albrecht vai ao túmulo para chorar a morte de sua amada e vê os fantasmas, incluindo Giselle. É condenado por Myrtha a dançar até morrer de cansaço. Como não consegue obter o perdão da rainha, Giselle o ajuda e, por vezes, o subtitui. Chegada a aurora, as “willis” desaparecem, Giselle volta ao seu túmulo e Albrecht cai desfalecido. Antes de Albrecht, a primeira vítima foi Hilarion que também tinha ido visitar o túmulo de Giselle.

Os bailarinos, principalmente os que interpretaram os personagens principais, conseguiram imprimir com perfeição o seu papel. Eu não estava perto do palco para ver as expressões dos seus rostos. Isso não foi problema. A maneira como se posicionavam dava para perceber quais eram os sentimentos dos personagens.

Para alguns, a história pode ser uma bobagem. Alguns podem dizer: “Não se morre por causa do amor”. Será? Eu acredito que se morre dessa forma. Embora a desilusão amorosa não conste no atestado de óbito, há outros nomes por trás da morte por tristeza tais como suicídio, depressão, derrame. Claro que não são exatamente essas palavras. São colocados termos médicos que podem ser que não entendemos.

Giselle não precisava morrer de tristeza. Poderia ter dado chance para Albrecht ser perdoado. Poderia ter lidado melhor com a situação. Mas ela deixou a tristeza dominar o seu ser. Cada um tem o seu jeito de agir. Esse foi o dela. Na primeira versão do espetáculo, Giselle se suicidava enterrando a espada no seu peito. Na época, essa atitude provocou forte comoção nos espectadores. Assim, os criadores da obra tiveram que alterar a história trocando a causa da morte por tristeza.

Amor é um assunto que interessa a todo mundo. Todos precisam e merecem amar e se sentir amados. É difícil definir o amor e falar dele. Mas não é impossível. Mostrem o seu amor e falem também. Não adianta falar sem mostrar. E não adianta também mostrar sem falar. Ninguém adivinha exatamente o que o outro pensa e sente.

Perceberam? Escrevi a minha opinião sobre “Giselle”. Assim como um livro ou um filme, uma coreografia como “Giselle” provoca reflexões. Fiquei envolvida na história e na dança. Tive vontade de entrar no espetáculo para dançar. Ouvir a música e ver os saltos, os rodopios, os movimentos dos braços, a inclinação dos corpos me deixaram em êxtase. Os bailarinos conseguiram ganhar meus muitos e demorados aplausos e provocar lágrimas discretas no meu rosto.

Meus aplausos não foram somente para os bailarinos. Também a todos os bailarinos que passaram pela Escola Bolshoi em Joinville, diretores, professores e funcionários. Por todos que construíram e constroem a história da escola de forma direta ou indireta. Se os bailarinos do Bolshoi de Joinville se apresentarem na sua cidade em turnê, não deixem de prestigiá-los. Se vocês visitarem Joinville, venham vê-los. Eu recomendo!

Lu Vieira

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quarta-feira, março 03, 2010

Orgulho e Preconceito

Apesar de um filme sobre essa história ter sido feito recentemente quem me apresentou a Jane Austen foi uma colega, Ceinwyn, do fórum Valinor. Ela leu, adorou e deixou como recomendação a leitura de qualquer obra da autora.

Passaram alguns anos até que nas minhas férias de 2008 tomei coragem e adquiri um exemplar de Orgulho e preconceito.

A história abre com um dialogo tão banal que só mesmo um grande talento para esconder coisas importantes sob tanta futilidade e ainda assim espicaçar a curiosidade do leitor. O casal Bennet especula sobre a chegada à cidade de um jovem solteiro e rico. E nesse momento começamos a perceber sobre o que se trata a história. A busca da senhora Bennet em casar "bem" as suas cinco filhas.

Creio que mais de duzentos anos se passaram depois da publicação desse livro e mesmo assim nota-se que poucas coisas mudaram. Liberação da mulher, luta por direitos iguais e ainda hoje vemos mães empurrando filhas em direção a casamentos como se essa antiga instituição, falida, fosse o supra-sumo da realização pessoal na vida de uma mulher. Nesses dois séculos de intervalo o que mudou é que as vítimas de antes eram lordes e fidalgos e agora são pagodeiros e jogadores de futebol. Pensando bem, eles bem merecem o que lhes acontece.

Voltando ao livro, com esse pano de fundo tão atual e ao mesmo tempo tão simples Jane Austen desenvolve com maestria a trajetória de Elizabeth Bennet a segunda irmã mais velha entre as cinco moças da família. Personagem principal e de longe a pessoa mais equilibrada e perspicaz da família. É através de seus olhos que as palavras do título são desenvolvidas no decorrer do romance. Criando personagens interessantes e invertendo as coisas quando já acreditamos que tudo está definido Jane escreveu uma história cheia de “humanidade” que agradará àqueles que gostam de retratos da sociedade e a quem aprecia uma boa história de amor e intrigas.

Afirmo que esse livro foi uma agradável surpresa e que sua leitura é tão suave e fluente que em três dias devorei suas páginas. Apesar de toda minha programação de férias. 

P.S: Um ano e pouco depois de ter feito essa resenha assisti o filme e digo que foram muito felizes com a adaptação que levaram à tela. Roteiro quase igual ao livro!

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terça-feira, setembro 08, 2009

A menina que roubava livros

Ganhei de presente da minha esposa. Não fosse esse gesto de carinho creio que este livro jamais entraria para minha biblioteca. Gostaria de dizer que isso seria uma perda irreparável e blá, blá, blá, etc. Mas o fato é que o volume é apenas um passatempo aceitável.


A história é narrada pela Morte e passa-se nos tempos da Alemanha nazista. Onde acompanhamos a trajetória de Liesel Meminger, a menina que roubava livros. A Morte é pretensiosa e se da ares de grandeza, sua figura é tão chata que me dá vontade de viver eternamente para ser poupado de um tête-à-tête com tão tediosa criatura. É fato que ela não é a personagem principal, entretanto, esperava muito mais personalidade por parte dela.


A protagonista, uma menina alemã magrela órfã de pai comunista, separada da mãe pelo estado e que viu o irmão morrer ao seu lado dentro de um trem cheio de párias da sociedade germânica. Entregue aos cuidados de uma família de estranhos descobre as primeiras letras, prazer pela leitura, o valor da confiança e o peso das responsabilidades que separam o mundo infantil do adulto. Entre as responsabilidades que servem de limiar encontra-se a tarefa de manter um judeu escondido no porão por vários meses seguidos. Há espaço para aventuras infantis e descobertas da pré-adolecência, tais como o primeiro beijo.


O livro apresenta algumas intervenções gráficas, livros desenhados pelo hóspede judeu, que considero interessantes, não sei se inovadoras, mas com certeza interessantes e muito bem vindas, pois tiram de cima da trama central os olhos do leitor. Dando um alento positivo a obra.


Fora isso não há muito que escrever sobre esse livro.


"Aos 30 anos, Zusak já se firmou como um dos mais inovadores e poéticos romancistas dos dias de hoje. Com a publicação de A Menina que Roubava Livros, ele foi batizado como um "fenômeno literário" por críticos australianos e norte-americanos. Zusak é o autor vencedor do prêmio de quatro livros para jovens: The Underdog, Fighting Ruben Wolfe, Getting the Girl, Eu Sou o Mensageiro (I am the Messenger), receptor de um 2006 Printz Honor por excelência em literatura jovem.Mais novo de quatro filhos de um austríaco e uma alemã, o escritor mora com sua esposa e filha em Sidney, na Austrália." Trecho retirado daqui.


Deixo minha recomendação para aqueles que apreciam leituras suaves para passar o tempo. Àqueles que gostam de saborear algo mais substancioso indico não desperdiçar tempo com essa história.

Editado: Para aqueles que quiserem uma opinião diferente recomendo esta resenha publicada no blogue Leitura mais que obrigatória.


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sexta-feira, dezembro 12, 2008

Planeta duplo. Jack Vance






Uma obra que possivelmente serve pra definir o estilo Jack Vance de escrever. Uma deliciosa mistura de ficção científica e fantasia. Sem limitar-se a um ou outro estilo mescla com maestria viagens espaciais, magia, raças. Costumes. Leis. Planetas. Lutas de espada e todos os ingredientes necessários a um bom folhetim.


Masque e Skay, planetas gêmeos, giram ao redor de Mora. Nesse sistema solar isolado na beira da galáxia os seres humanos se fixaram em Maske estabelecendo suas próprias leis e costumes.


Nessa terra distante o jovem Jubal Droad teve o azar de ser o segundo filho do líder do clã, fato que o exclui da herança e do glorioso futuro que a tradição garante ao primogênito. Nessa situação o rapaz cheio de energia e ambição vê-se obrigado a peregrinar pelo mundo em busca de um destino que fosse a altura de seus anseios. Nessas andanças seu caminha cruza-se de forma violenta com aquele que se torna seu inimigo mortal, o malicioso Ramus Ymph. Vilão da história que disputa com Jubal as atenções da aristocrática, patricinha, Lady Mieltrude.


A busca por justiça/vingança leva o protagonista a percorrer todo o planeta imiscuindo-se em intrigas governamentais, espionagem, batalhas campais e até mesmo a viajar pelo espaço, ato que é considerado crime hediondo em seu planeta natal.


Dessa forma podemos notar que o material é um capa-e-espada espacial onde encontramos todos os ingredientes necessários ao sucesso desse estilo de livro. E ainda com um final interessante que não posso divulgar pra não tirar essa surpresa dos futuros leitores. Isso seria muito cruel da minha parte.



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sexta-feira, agosto 01, 2008

Friday. A mulher do futuro

O que Robert A. Heilein nos oferece nesta obra é uma deliciosa aventura num futuro confuso quando o planeta em franca decadência é divido em diversos pequenos estados manipulados por mega-corporações. Democracias, ditaduras, monarquias e outras tantas formas de governo estão presentes. Os Estados Unidos da América já não existem como conhecemos. Está divido em diversas cidades estados muito semelhantes as antigas polis gregas.

Friday é o supre-sumo de um laboratório de engenharia genética. Denominada como Pessoa Artificial (P.A) ela foi dotada de características sobre-humanas Tais como força, velocidade, audição, raciocínio e outras mais. Treinada para o combate corpo-a-corpo, táticas de guerrilha, terrorismo, manuseio de armas e veículos ganha a vida trabalhando como mensageira de uma organização secreta liderada pelo homem misterioso que aparentemente está sempre a par de tudo na política internacional e atende pela alcunha de "Chefe".

Quando não está carregando mensagens secretas Friday tenta levar uma vida normal aproveitando os gatos e as paisagens bucólicas da fazenda onde ela reside com sua família neo-zelandesa. Neste faceta da história observamos um casamento grupal com vários maridos, esposas e diversas crianças. Onde todos são responsáveis por todos formando tanto uma família quanto uma cooperativa econômica.

Um livro repleto de ação, reviravoltas, romance, sexo e intrigas políticas e corporativas. Contando as peripécias de uma loura exuberante em busca da sua identidade e do seu verdadeiro lugar no universo. Uma excelente história para quem aprecia livros de aventura e ficção.



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