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quarta-feira, março 02, 2011

Entrevista nº 03: Roberta Fraga

É a autora do livro “Uma história de Grande Porte” que o L.S. Alves fez uma resenha aqui. Ela também escreve no blogue Peculiarizar, junto com a sua irmã Carolina. Natural de Brasília, trabalha na área de Direito, curso no qual se formou. Mora próximo de Sobradinho/DF e é mãe de Clarice, uma menina de 2 anos de idade que já tem amor pela leitura.

O gosto pela escrita sempre esteve presente na vida de Roberta. Desde menina. Está com 32 anos de idade e diante de um sonho realizado: a publicação de seu primeiro livro. Conheçam a jovem autora por trás da obra “Uma história de Grande Porte”.

Máquina de Letras: Você sempre gostou de escrever. Como surgiu a oportunidade de escrever um livro?
Roberta Fraga:
Escrever sempre foi minha paixão, aliás, sou uma leitora um tanto voraz. Desde pequena eu escrevo, consigo me lembrar de claramente que, aos oito anos, ainda na segunda série, escrevi a minha primeira poesia. Ela se chamava "A leve brisa passa já". Depois, enviava poesias para os jornais. Eu me lembro de que por ocasião da morte de Carlos Drummond de Andrade, ao ouvir a notícia no Jornal Nacional, mandei uma cartinha para o Correio Braziliense e publicaram lá uma poesia dedicada ao escritor. Até me premiaram com um livro na Livraria Presença, em Brasília, ficava no CONIC e que, infelizmente, nem existe mais. Eu devia ter uns nove anos. Aos nove anos, respondendo a um desses questionários para trabalho de conclusão de curso (eu acho que era na área de Psicologia, não sei bem) e eu me lembro de nitidamente que uma das perguntas era qual a profissão que eu queria seguir e eu respondi prontamente escritora. Incomum, naquela época, uma criança de nove anos pensar assim. Então, meu pai mandou umas cartas para editoras, mas eu só ouvi recusas até então. Depois, guardei meus sonhos na gaveta, escrevia, concorria em concursos, mas tudo amadoristicamente. Não me dediquei, comecei a acreditar que não daria certo e que eu tinha que pensar no meu futuro de maneira pragmática. Foi então que eu embarquei no Direito. Sempre gostei de ler e de escrever, sempre, mas sentia e sinto, que, mesmo, apesar do Direito, ainda restava uma lacuna em mim quanto a isso. E continuei produzindo e produzindo solitariamente meus textos. Em 2006, um amigo meu, cineasta, Antonio Balbino, pediu um texto meu, despretensiosamente. Até então, eu não tinha ideia, mas ele pediu minha autorização e roteirizou um conto meu de realismo fantástico que eu chamo Z e ele adaptou para o roteiro "Fragmentos". Daí, participei de uma iniciativa da Universidade de Brasília, chamada Incubadora de Arte, que realizou uma rodada de negócios Livro e Literatura, onde se reuniram vários seguimentos do setor e lá encontrei a Editora Hinterlândia que estava interessada no perfil que eu estava oferecendo naquele momento: histórias infantis.

MDL: Por que escolheu como tema a depressão infantil? Conheceu de perto uma criança depressiva?
RF: Tive experiências de pessoas próximas que me fizeram investigar o assunto e depois fui notando que no trabalho tenho colegas que passam por isso, nos meus cursos, meus vizinhos e fui notando, também, matérias e entrevistas a respeito do tema. Então tentei criar uma alegoria que funcionasse como uma metáfora para as crianças. Algo que servisse para elas concretizarem o sentimento. Comecei pensando na expressão "elefante branco" que é algo aparentemente discreto, mas que causa transtorno conviver com ele e fui desenvolvendo. Trabalho algumas metáforas no livro como a parte em que a criança está na sua zona de conforto por ser vista com piedade a partir de seu sofrimento, e que as suas lágrimas se transformam em amendoins, sugerindo que o sofrimento gera mais e mais pesar, por exemplo. Eu gostaria de registrar que não dou nome aos personagens porque queria que a ideia do texto tivesse mais força que seus personagens e também que os pais da história são bem omissos, motivo pelo qual têm uma participação adjacente. Algumas pessoas consideram a história difícil para as crianças. Talvez seja, tentei construir a história o mais simples possível, talvez caiba uma leitura partilhada, mediada, uma ótima oportunidade de aproximação entre pais e filhos.

MDL: Quando e como foi o lançamento do seu livro?
RF: O lançamento aconteceu em 16 de outubro de 2010 na 29º Feira do Livro em Brasília. Foi um evento bem bacana, conversamos um pouco, dei alguns autógrafos e fizemos uma doação de cem unidades do livrinho para o projeto Arca das Letras (esse projeto visa a criar microbibliotecas em assentamos rurais e urbanos). Os meus livros, entre outros, por exemplo, foram para o Amazonas.

MDL: Quem foram os seus incentivadores para escrever “Uma história de Grande Porte”?
RF: Posso dizer a respeito de incentivadores do universo da leitura que meus pais me impulsionaram até certa medida, mas naquela época em que eu era criança esse mercado era muito difícil, sob muitos aspectos. Quanto ao tema, não existiu um incentivador propriamente, algumas pessoas me inspiraram e na reunião com a editora este texto foi escolhido como inaugural por guardar a sua cota de discussões. Sempre trabalhei com três histórias ao mesmo tempo. Algumas infantis, outras não. Quero registrar que a Daniele Dias de Lima foi sempre paciente e solícita em me incentivar e ler meus originais, fazendo correções (sem cobrar nada por isso) e sugerindo ajustes.

MDL: Depois do primeiro livro, é difícil não desejar escrever outro. Pretende escrever livros direcionados ao público infantil?
RF: Tenho muitos textos prontos para serem aproveitados ainda e de diferentes direcionamentos. Amo escrever. É espinhoso, às vezes não temos retorno, às vezes, quando temos não é o esperado. Um livro é como um filho: você o cria e tem vontade de mostrar a todos e que todos o compreendam como você, mas nem sempre as pessoas gostam ou, sequer se importam, mas se alguém guardou sua mensagem, já é o suficiente para ter valido a pena.

MDL: Sua filha se chama Clarice, uma homenagem à famosa escritora de sobrenome Lispector. Qual o significado da Clarice Lispector em você?
RF: Clarice Lispector é um marco na minha vida. Aliás, depois de ler Clarice eu decidi que gosto de literatura com tempo psicológico (como Clarice) e fantástico (como Gabriel García Marquez e Saramago). Leio de tudo, até "resenha do BBB", mas amo esses outros estilos. Uma vez, vendo a uma reportagem sobre a Clarice Lispector, eu a vi falar que "escrevia simples". Sim, as palavras são simples, mas seus significados falam uma coisa particular a cada pessoa que lê e eu acho isso genialidade. Longe de me comparar a qualquer um desses, acredito em falar a cada pessoa no seu interior. Sem falar, que eu considero um nome lindo.


MDL: O que a sua filha achou de ter uma mãe escritora?
RF: Ela ama livros. Mesmo com seus dois anos, ela inverte as posições e conta as histórias para mim, do jeito dela, com inúmeros finais ou não finais (muitas vezes o Pica-pau fala mais alto). Acho que ela não concebeu isso ainda de uma maneira mais consciente, mas tenho ensinado que ela ame os livros. Quem tem livros, tem o mundo inteiro para apreciar, tem todos os sonhos, tem todas as pessoas. Um livro é sempre boa companhia.

MDL: Como as pessoas podem adquirir o seu livro? Está sendo vendido em livrarias e na internet?
RF: O livro pode ser encontrado em algumas livrarias do Distrito Federal, Rio de Janeiro e pela internet pode ser encontrado na Livraria Cultura.

MDL: Comparando como é escrever em blogue, que diferença você sentiu ao escrever um livro?
RF: Escrever em blogue é mais coloquial, mais despretensioso, mais próximo do interlocutor. Em blogue, você conversa com amigos. Um livro, não quanto ao conteúdo, mas quanto à destinação gera uma certa expectativa. Suas ideias vão deixando de ser suas para navegarem em outros mares, terem outras percepções. Um livro é, sem dúvidas, uma doce aventura.

MDL: Quais são os seus sonhos?
RF:
Sonhos possíveis? Sonho em continuar escrevendo e produzindo livros em feltro (que é outro de meus trabalhos). Sonho em poder ler muito mais do que eu posso atualmente.
Sonhos (im)possíveis? "Gostaria, Deus, de ganhar na megasena acumulada p
ara eu poder continuar escrevendo e produzindo livros em feltro (que é outro de meus trabalhos). Sonho em poder ler todos os clássicos com que sempre me comprometo. E, com o prêmio, prometo apoiar os projetos dos meus amigos que batalham tanto pelo seu lugar ao sol e aqueles que abrem espaço para a minha fala na blogosfera. Amém."


MDL: Qual o melhor conselho que recebeu e deseja dizer para nós?
RF: Posso dar dois: Nunca deixem de sonhar, os sonhos são os que nos mantêm vivos. E o segundo, mas não menos importante, ame os livros. Uma pessoa que lê vê com os olhos do mundo, abre a mente, transcende de si e de sua realidade.


Fotos de Rafa Zart.

OBS.: Entrevista realizada por email.

Lu Vieira

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quarta-feira, agosto 04, 2010

Entrevista nº 02: Mr. Gomelli

Depois da querida Laura Vieira, agora é a vez de Pedro Giumelli Gonçalves ser entrevistado aqui. Na blogosfera ele é conhecido como Mr. Gomelli, o mesmo nome de seu blogue. Com apenas 23 anos de idade, o moço é jornalista do Jornal das Missões e participa eventualmente de algumas transmissões esportivas da Rádio Santo Ângelo, que é do mesmo grupo do jornal.

Gaúcho de Rosário do Sul, onde viveu por quase 18 anos, Mr. Gomelli tem o Grêmio como o seu time predileto de futebol. Saiu de sua cidade natal para fazer um curso técnico em Alegrete, onde morou por seis meses. De lá, foi para Cruz Alta cursar Jornalismo na Unicruz. Concluído o curso, está trabalhando e morando hoje em Santo Ângelo.

Descobri o Mr. Gomelli por meio de seus comentários no blogue O que se pode dizer, da Marina Brito. As suas opiniões interessantes foram um convite para conhecer o seu blogue. E fui visitando e gostando dos textos que ele escreve. Tenho certeza de que vocês também vão gostar do moço. Para começar, vamos conhecê-lo um pouco nesta entrevista? Depois não deixem de ir ao blogue dele.

Máquina de Letras: Quem é Mr. Gomelli?
Mr. Gomelli: Igual a todo mundo sendo diferente dos outros. É muito difícil definir a si próprio. Acho que Mr. Gomelli é só um aprendiz da vida, um sonhador.

MDL: Como surgiu a vontade de ter um blogue?
Mr. Gomelli: Olha, eu sempre gostei de escrever e também sempre tive formas diferentes de pensar sobre certos temas. Algumas opiniões são meio polêmicas. Mas inversamente proporcional ao meu gosto pela escrita, é meu gosto pela fala. Sempre fui bem quieto. Então, os textos são uma forma de eu expor minha opinião sobre as coisas da vida. A vontade foi aumentando com os anos de faculdade e no último ano (2009) eu finalmente tomei coragem e criei o blogue.

MDL: Dois temas se destacam no seu blogue: o jornalismo e o futebol. Dá para perceber que são suas paixões. Como surgiu o seu interesse por essas áreas?
Mr. Gomelli: O futebol é algo que eu sou apaixonado desde que me entendo por gente. Não só o futebol, mas qualquer esporte. Por isso escrevo sobre isso, embora eu tente fugir do tema, pois a intenção do blogue é falar sobre tudo. Até criei outro blogue* há pouco tempo para falar só sobre futebol, mas meio que abandonei a ideia. O Jornalismo foi algo que eu fui me interessando aos poucos por gostar de escrever. Aí quando chegou aquele momento de escolher uma profissão, eu escolhi jornalismo, embora tenha ficado em dúvida com outros cursos, como Letras, por exemplo. Mas a opção pelo Jornalismo foi mais em função de poder ficar próximo também do esporte.
* Blogue A letra do gol

MDL: Quis ser jogador de futebol?
Mr. Gomelli: Acho que 90% dos garotos têm essa vontade na infância. Aí os gostos vão se aperfeiçoando e as habilidades naturais aparecendo. Aí vamos por outros rumos. Eu, obviamente, também sonhei com isso. Mas nunca tive muitas oportunidades e quando ia ter, acontecia algo para atrapalhar.

MDL: Joga futebol nas horas livres ou pratica outra modalidade esportiva?
Mr. Gomelli: Sempre que posso eu jogo futebol. No colégio jogava basquete também e depois participei de um time lá da minha cidade, mas hoje em dia só o futebol mesmo. É difícil pra eu ficar sem um joguinho de vez em quando. É uma paixão, não tem jeito. E temos que procurar fazer as coisas que nos dão prazer. O futebol é isso pra mim.

MDL: Por que o Grêmio é o seu time de futebol predileto?
Mr. Gomelli: Esse é o tipo de coisa que não tem como explicar. Acho que as pessoas que não gostam tanto de futebol podem não entender, mas o sentimento por um clube, quando é forte como o que eu tenho pelo Grêmio, é algo que não se pode explicar, apenas sentir.

MDL: Qual jornalista você possui admiração e considera um bom exemplo de profissional. E por quê?
Mr. Gomelli: Considero David Coimbra um mito. Ele é do grupo RBS, trabalha no jornal Zero Hora. Lendo as crônicas e os contos dele que eu criei mais motivação para escrever. De infância assim, aprendi a admirar o Galvão Bueno. Vejam vocês, alguém tão odiado hoje em dia. Mas é que tinha o sonho de ser narrador de futebol, hehe, aí me tornei fã dele.

MDL: Qual reportagem que mais gostou de fazer?
Mr. Gomelli: Poxa, são tantas. Fica difícil até lembrar. Quando eu trabalhava em uma revista em Cruz Alta ainda, eu fiz uma sobre bocha (um esporte pra quem não sabe). Gostei muito de fazer porque foi algo diferente, pouco difundido. Das mais recentes, fiz três matérias especiais sobre a rivalidade Gre-Nal*, com torcedores dos dois times, que também gostei muito. É difícil fugir do âmbito esportivo. Mas este ano também fiz uma série de reportagens com colecionadores. Foi muito legal. Tinha coleção de troféus, réplicas de carros, facas, rádios antigos, entre outras coisas. Eu gostei muito de conhecer essas paixões de algumas pessoas.
* Times de futebol gaúcho: Grêmio e Internacional

MDL: Como foi a experiência de morar longe da família para estudar jornalismo?
Mr. Gomelli: Foi difícil no começo. Até escrevi um texto no blogue no dia que mudei de Cruz Alta pra Santo Ângelo, lembrando como foi a chegada a Cruz Alta. O dia que me vi sozinho, sem ninguém da família por perto. É tudo diferente, tudo novo, mas aos poucos a gente vai se acostumando e aprendendo a se virar sozinho. Não me arrependo. Acho que me fez crescer muito, amadurecer e isso foi muito bom.

MDL: O que Rosário do Sul, Cruz Alta e Santo Ângelo têm em comum? E o que não possuem?
Mr. Gomelli: Em comum acho que a coisa de cidade gaúcha mesmo. Muita ênfase no tradicionalismo, na nossa cultura e também no interesse pelo meio rural (agricultura e pecuária). De diferente? Bom, são três lugares bem diferentes. Rosário é uma cidade calma. Têm poucas oportunidades, pois não há universidade lá e poucas empresas. A gente sempre diz que é uma cidade para aposentados e crianças... hehe. Cruz Alta eu nunca gostei muito. Poucas oportunidades de entretenimento e apesar de ter a Universidade, também têm poucas oportunidades de emprego. Santo Ângelo, mesmo sendo do mesmo tamanho de Cruz Alta, parece ser muito maior. O clima da cidade é de cidade grande. Tem comércio forte, bastantes empresas, muitas opções de entretenimento e um foco no turismo, que é bem legal. Já escrevi que me apaixonei pela cidade. Acho que se não aspirasse a coisas maiores profissionalmente, não mudaria mais daqui.

MDL: Que sonhos você quer realizar?
Mr. Gomelli: Bah, são tantos! Eles se multiplicam e vão sendo substituídos ao longo do tempo. Acho que dos que eu tenho, os que persistem e devem durar por um bom tempo é crescer profissionalmente e ter minha família (esposa, filhos, cachorros, etc.). Um dia eu chego lá. Ah, outra coisa que sempre tive vontade é de morar na Espanha. É um país que sempre me interessou e pretendo um dia conseguir viver e trabalhar como jornalista lá.

MDL: Se a blogosfera não existisse, o que você imagina que estaria fazendo?
Mr. Gomelli: Não sei. Acho que escrevendo em algum outro lugar. Ou pensando em algo do tipo para colocar os textos.

MDL: Você vive mais no mundo virtual ou no real?
Mr. Gomelli: O mundo virtual tem tomado muito meu tempo. Além da blogosfera, tem o twitter e MSN que ocupam um bom espaço de tempo no meu dia. Mas tento não me desligar da realidade. Afinal, vivemos efetivamente nela né.

MDL: Teve problemas com outros blogueiros ou leitores? Por exemplo, receber comentários que ofenderam você?
Mr. Gomelli: Até hoje não. Até esperava algo do tipo em alguns textos, mas nunca aconteceu. Mas sei que uma hora vai acontecer. Faz parte.

MDL: O que você não escreveria no seu blogue?
Mr. Gomelli: Bah, já escrevi tanta coisa. Pergunta difícil essa hein. Pensando bem, um texto exaltando o Inter (rival do Grêmio) é quase impossível de aparecer por lá. Também acho que não deve aparecer nada ofensivo contra outras pessoas por lá. Coisas desse tipo. Hehe...

MDL: Qual o melhor conselho que recebeu e deseja dizer para nós?
Mr. Gomelli: Acho que o melhor conselho foi o de estudar e ir atrás do que se quer. Minha mãe sempre dizia que eu tinha que estudar e me dedicar aos estudos, que através disso eu estaria apto a ir atrás dos meus sonhos. Não dá pra ficar esperando as coisas caírem do céu. Acho que é isso.

Obs.: Entrevista realizada por email.

Lu Vieira

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quarta-feira, maio 19, 2010

Entrevista nº 01: Laura Vieira

A partir deste post, estreamos uma nova categoria que é a entrevista. A ideia foi do L.S. Alves, inspirada nas entrevistas realizadas pela Bárbara, do blogue Devaneios & Loucuras. Como sou formada em jornalismo, ganhei uma agradável tarefa. Entrevistar é uma forma de conhecer mais ainda o (a) blogueiro (a) por trás do seu blogue. A primeira entrevistada é a Laura Vieira, do Réstias de Sol. Ela foi uma das primeiras pessoas a visitar o Máquina de Letras, quando o L.S. Alves escrevia sozinho.

Aos 58 anos de idade, Laura é uma mulher que cativa os leitores com suas poesias, canções e histórias. Escreveu dois livros: Réstias de Sol, o mesmo nome do seu blogue, e Sons de Amor. Se você tiver interesse em adquirir os livros da Laura, é só clicar nos respectivos nomes que os linques te levam a loja virtual.

Portuguesa nascida em Valença do Minho, dentro da fortaleza medieval, Laura morou 12 anos em Luanda, capital de Angola. Hoje vive em Braga, de Portugal, e nota-se entre seus textos no blogue que ela declara o seu amor e a saudade pelo período vivido em Luanda. Feitas as apresentações iniciais, vamos conhecer um pouco mais a história e os pensamentos da Laura.

Máquina de Letras: Quem é Laura Vieira?
Laura Vieira: Um grão de areia no Universo.

MDL: Como surgiu a vontade de ter um blog?
LV: Não foi vontade, foi presente de um querido amigo (já nos encontramos) que foi meu vizinho de bairro em Luanda nos meus tempos de menina e jovem, embora tivéssemos trilhado os mesmos caminhos e ruas vizinhas, não nos lembrávamos bem um do outro. Encontrei-o aqui no blogue da Pascoalita e conversa puxa conversa, encontramo-nos, como eu escrevia poesias ele sentiu que me ajudaria, já que eu tinha muito para escrever e nem se enganou! (palavras dele quando me mandou o site e disse para clicar; Laura, vê se gostas, se sim, tudo bem, não gostas, apagas. Essa foto do blogue foi a que enviei para ver se ele me reconhecia, ao fundo a nossa Ilha de Luanda). Assim, emudeci quando abri o meu blogue e chorei de emoção, gratidão! Logo... Saí a ganhar! Posso dizer; Obrigada Marius o guerreiro Romano!
A foto que a Laura enviou para o Marius é a que está neste texto e também a que ilustra o blogue dela.

MDL: O nome do seu blog é o mesmo de um de seus livros. Por que escolheu esse nome?
LV: Foi pela poesia que fiz num dia de sofrimento intenso, As minhas réstias de sol, foi como uma oração querendo juntar meus amigos por necessitar da presença deles no meu lar naqueles precisos momentos, a dita poesia está nos começos do blogue em 2006!
Clique aqui para ler a poesia.

MDL: Um dos temas que você mais escreve é sobre o amor. Amor de mãe, de amigos, de marido, de namorado... O que é o amor para você?
LV: Amor? É algo que tenho entranhado, é o Universo, a vida Maior e por onde se consegue chegar a todos e a cada um...

MDL: Eu e você temos pontos em comum como gostar de ler e escrever, possuir o mesmo sobrenome e ter deficiência auditiva. Como descobriu essa deficiência?
LV: Aos 6 anos, obrigando o resto do pessoal a falar mais alto, sem me aperceber de que a deficiência estava em mim! Quanto aos sobrenomes, é giro termos iguais... Até a minha mãe tem o sobrenome do Alves, é a familia se juntando após milênios de separação! Viu!

MDL: Você descobriu o que causou a deficiência auditiva?
LV: Foi a gripe asiática em 1957.

MDL: Sofreu preconceito por ter a deficiência auditiva? Como foi a sua educação na escola?
LV: Preconceito as próprias crianças se encarregam de nos mostrar isso... E na 4ª classe não pude fazer meu exame e era bem inteligente... Motivo? Surdez! Ainda hoje me dói que três professoras que iam fazer o exame, nenhuma delas tivesse um pouco de compaixão por uma menina de 9 anos que sabia toda a matéria! Hoje carrego comigo essa dor apesar de ser autodidacta, ando a ver se encontro minha professora para ter uma conversa sobre isso, não para lhe gritar ou censurar, apenas para perguntar porquê! Se ela me tratava tão bem na escola! Mas, nem sei onde ela está, continuo procurando... A educação foi normal como qualquer criança ouvinte.

MDL: Como é ser mãe? O que eles pensam do seu blogue?
LV: Ser mãe o melhor papel que desempenho no mundo, eles são o máximo, e o amor faz com que aconteça amor! Eles costumam ver meu blogue, não comentam, apenas lá vão uma ou outra vez... Costumam recomendá-lo aos amigos... Acham que é bom e me ajuda a passar o tempo, a preencher momentos, realizar sonhos, com os amigos. Tenho tido uns belos momentos com eles, seja em passeio, almoços, enfim, foi o que melhor aconteceu neste mundo virtual que se transformou em pessoas reais...

MDL: Quais sonhos você tem para realizar?
LV: Publicar mais livros, ter a minha casinha no meio da beleza da natureza, com flores muitas flores que eu plantarei, e depois receber crianças dos orfanatos, umas de vez a vez, e junto com minhas amigas, darmos o que eles não têm, amor, carinho, diversão aos fins de semana... Lá chegarei! É uma visão e será uma realidade! Aprender pintura, já pinto, mas nunca aprendi.

MDL: Se a blogosfera não existisse, o que você imagina que estaria fazendo?
LV: Ehhh, boa, estaria criando a blogosfera nem tenha dúvidas! Prá frente é o caminho!

MDL: Você vive mais no mundo virtual ou no real?
LV: Embora pise o chão ao de leve, adoro viajar pelo País do sonho, é gratificante e ajuda a mente a funcionar e descortinar novos caminhos!

MDL: Teve problemas com outros blogueiros ou leitores? Por exemplo, receber comentários que ofenderam você?
LV: Claro, quem não tem? Mas boto spray neles, foram-se!

MDL: Qual fato da sua vida que mais gosta de contar?
LV: Tenho imensos.

MDL: Ah, cite um?
LV: Melhor momento ou recordação o nascimento dos meus filhos Nuno e Neide...

MDL: Sei que é difícil escolher um, então vou pedir que conte um fato ocorrido neste mês que te deixou muito feliz.
LV: Este mês? Não há datas para a felicidade, ser feliz para mim nos dias de hoje é ter o pão de cada dia e a paz de espírito que prezo imensamente...

MDL: O que Portugal não tem e que Luanda tem?
LV: África, que amei e amo... Sol que tanto bem me fez, e alegria me deu... Mar, o mar que guardou até agora os meus desejos, sonhos e segredos de amor... A minha perdição de toda uma vida, olhar o mar serenamente e com confiança no futuro...e Lua a lua das minhas noites de ternura e solidão, desde menina que sinto a solidão, aquela falta do amor que ainda não apareceu...inigualáveis, o cheiro da terra, o cacimbo, a sanzala, a terra vermelha, o queimado das queimadas, os animais selvagens pertinho, ah, o céu de cores queimadas...só África!...

MDL: Qual o melhor conselho que recebeu e deseja dizer para nós?
LV: Ser autêntica como até aqui! Tenho-o seguido à letra! É a minha personalidade, não há como mudar, nem quero!

Obs.: Entrevista realizada por email.

Lu Vieira

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