domingo, maio 15, 2011

Dia das Mães

Sim, eu sei. A data já passou. Mas nem por isso vamos deixar de homenagear as nossas mães por serem nossas mães. O primeiro texto que escrevi aqui foi sobre o Dia dos Pais em 2009 e fiz uma pequena e sincera homenagem ao meu pai. Destaquei o caráter dele. Agora é a vez da minha mãe ser homenageada neste espaço.

Assim como o meu pai, ela também possui um bom caráter. Observei muitas atitudes dela que me ajudaram a ser o que sou hoje. A vida dela não é nada fácil. Mãe de quatro filhos, sendo eu a primogênita com deficiência auditiva e a Débora, a caçula com Síndrome de Down. Ela abdicou de muitos sonhos para se dedicar integralmente aos filhos, enquanto o meu pai trabalhava duro. Afinal, ter quatro filhos não é moleza e eu e a Débora precisávamos de uma atenção e dedicação maior por parte deles. Poderia escrever muitas histórias dos dois, mas vou destacar apenas um fato envolvendo a minha mãe que me marcou muito.

Quando comecei a ir a escola e no primeiro dia de aula de cada ano, minha mãe falava sobre a minha deficiência auditiva para a professora. Esse gesto dela me deixava tranquila. “A professora sabe que eu tenho dificuldade, porque a minha mãe conversou com ela”, pensava. Quase sempre sentava na primeira fileira de carteiras. De preferência no canto da parede, pois eu era uma criança grandona. Adorava o primeiro dia de aula, principalmente por ver se eu teria novos coleguinhas ou se fulana ou fulano de tal iria ficar na minha classe. Mas eu ficava com medo de como seria a professora. Braba? Legal? Principalmente, fala baixo? Certo ano, minha mãe entrou na escola, deixou os meus irmãos em suas classes e me acompanhou para me levar onde seria a minha sala de aula. Identificada a sala, ela disse que era a hora de eu mesma falar com os professores sobre a minha deficiência. Afinal, agora eu tinha mais de um professor, ou seja, professor de cada disciplina. “Não, por favor, fala você. Não me deixe sozinha”, pedi e a segurei. Ela respondeu: “Você me viu fazer isso nos outros anos. Agora é a sua vez e precisa se virar sozinha”. E foi embora. Jamais esqueço essa cena. É como se tivesse perdido o meu colo e ela me pôs no chão para andar sozinha. Fiquei apavorada, desesperada e me sentindo um “bicho do mato”. Apesar de eu conhecer boa parte dos colegas, os professores quase sempre eram diferentes. E eles precisavam saber que eu tenho deficiência auditiva.

Pedi ajuda a Deus para vencer a minha timidez e me dar a coragem. Graças a Deus, eu consegui abrir a boca. Eu falei com cada professor antes ou depois da aula. Minha mãe me deu um belo pontapé a fim de eu assumir sozinha a minha vida. Nos anos seguintes, conseguia falar de mim aos novos professores. Para alguns, não precisei fazer isso, porque eram os mesmos do ano anterior. Se eram novos, alguns responderam: “Eu sei quem você é, porque os outros professores já me falaram da sua deficiência auditiva”. Ufa!

Obrigada, mãe, por me ajudar a combater a minha insegurança. Melhor dizer que eu estava ganhando mais segurança na minha vida. E também por outros muitos ensinamentos.

Lu Vieira

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sábado, maio 14, 2011

Alexandre Braga

“Ser criança é ser inquieto, dar piruetas no ar, pular corda, jogar pião, jogar bola, sem nada se preocupar”

Com essa frase, Alexandre Braga é o ganhador do livro “Uma história de Grande Porte”, de Roberta Fraga.

Agradecemos a participação de todos e pedimos perdão pelo atraso na divulgação do resultado do concurso. Gostamos de ler e refletir cada frase e foi difícil escolher a melhor. E pretendemos lançar mais concursos. Afinal, é uma boa maneira de haver interação, de conhecer o que pensa cada leitor e de estimular a criatividade de vocês que nos acompanham neste blogue.

Parabéns ao Alexandre e a todos que participaram da empreitada!

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quinta-feira, maio 05, 2011

A decisão de César - Steven Saylor


O autor é colaborador do canal de televisão History Channel, onde analisa questões sobre a política e a vida romanas.

Neste livro acompanhamos as aventuras de Gordiano, também chamado “O Descobridor”, no Egito do século I a.c. A personagem é um cidadão romano que atua como uma espécie de detetive particular, sendo o protagonista de uma série de nove livros, Roma Sub Rosa. Por isso ao longo da novela temos a impressão de que pegamos o bonde andando, o que não deixa de ser verdade. Mas isso não chega a atrapalhar a leitura, visto que, a história está completa em si. Mesmo com referência a fatos ocorridos em outros livros não há nada que comprometa o prazer desta leitura.

Gordiano, a esposa, um escravo forte e duas crianças escravas formam o núcleo familiar que sai de Roma para o Egito a fim de encontrar uma cura para a doença misteriosa que atinge Bethesda, a esposa do personagem principal.

Na mesma época chegam ao Egito, Pompeu e César. Generais romanos que disputam o controle do império. Nesse período o país encontra-se dividido em dois partidos. A turma do Ptolomeu e a turma da Cleópatra.

O destino faz com que o investigador seja envolvido nas disputas de poder dos reis e generais. Após presenciar o assassinato de Pompeu, Gordiano é acolhido na corte de Ptolomeu onde passa a acompanhar  a guerra travada entre os herdeiros do reino egípcio que se odeiam e ao mesmo tempo buscam desesperadamente o apoio de César e do seu exército. Além do poder no Egito os irmãos também disputam a pose do coração de César. Segundo o autor, o general gostava de meninos e meninas também.

Em meio a todas as intrigas palacianas ocorre um envenenamento e o principal suspeito é o filho adotivo de Gordiano, um jovem oficial que divide o leito com César e morre de ciúmes de Cleópatra. Quando as investigações levam o livro para uma solução óbvia, o autor arma uma reviravolta para nos prender até o final do volume. Apesar do final de novela das oito, o livro agrada pelo contexto histórico, apresentação de Alexandria e pelo mistério do assassinato.

Recomendo como leitura leve e prazerosa. Além de conhecer um pouco mais de história romana e também do caráter das multidões egípcias, tão evidentes nos eventos políticos nesse ano de 2011.



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