sexta-feira, abril 30, 2010

Sopro de Deus

A vida é muito curta, é muito breve,
É uma passagem sempre antecipada.
Aquele que não ousa e não se atreve
Só vê o tempo lhe passar, mais nada.

A vida é feito pluma, solta e leve,
No sopro da incerteza carregada,
Desaparece como um vento breve,
Deixando uma lembrança sempre vaga.

Buscamos ser feliz, buscamos ter,
E a nossa busca é tão enlouquecida
Que até nos esquecemos de viver.

A vida é breve, é curta sim. Que pena!
Portanto, seja grande nessa vida,
Não deixe a sua vida ser pequena.



Conforme eu prometi ai acima está um dos sonetos do Hélio Cabral. Com o tempo postarei outros.


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terça-feira, abril 27, 2010

Rumo incerto

Escolhas. Decisões. Algumas deram certo. Outras não. Ultimamente não se sente mais seguro para tomar as decisões. A insegurança entrou no seu ser. O medo também. Nunca ficou assim. Sempre foi corajoso e seguro nas suas resoluções, mesmo quando eram consideradas absurdas pelas outras pessoas. Além da insegurança e do medo, a tristeza teima em reinar na sua vida. Parece que abriu os olhos para a verdadeira realidade. Será que viveu sempre na ilusão? Por que não consegue ser feliz como antes? Fica revoltado com as notícias ruins veiculadas pelos meios de comunicação. “Porra, só más notícias!”. Não agüenta mais saber de terremotos, enchentes, assassinatos, estupros, guerras entre pais e filhos, políticos corruptos, valorização extrema da beleza e do dinheiro, drogas, doenças, destruição do meio ambiente, mortes em acidentes de trânsito... Deseja fazer algo para mudar a realidade. Por outro lado, se sente impotente diante de tantas tragédias da humanidade.

Uma escolha feita por ele o tortura até hoje. A pior escolha de sua vida. Suicídio é algo que passa na sua cabeça. Não quer fazer isso, porque pensa que Deus é o único que pode tirar a sua vida. Já implorou a Deus para atender o seu pedido de morrer. Luta para eliminar esse desejo triste. Anda muitas vezes sem rumo. Ele se sente perdido. Não sabe o que fazer. Não consegue traçar novos objetivos. Tem muita raiva de si mesmo. Por que pegou o carro naquela noite? Por que não chamou um táxi? A sua atitude provocou a morte de seu melhor amigo. Saiu tarde do trabalho naquele dia. Seu carro estava estacionado no cume de um morro alto. Seu amigo trabalhava junto com ele. Muito cansado, César entrou no carro, abaixou o freio de mão e deixou a marcha no ponto morto. Em vez de dar a partida, desmaiou de sono. Acordou sobressaltado e com dores na coluna. Do retrovisor, viu seu amigo prensado entre a traseira do seu carro e a dianteira do carro dele que estava estacionado alguns metros abaixo do pico do morro. O amigo gritou de dor. Quase entrou em surto ao vê-lo daquele jeito. Chamou o socorro. Chegou com vida no hospital, mas faleceu durante uma cirurgia de emergência.

De pé no ponto mais alto de uma pedra enorme e fincada na praia onde ambos costumavam passear, César está indeciso e exausto. Um vazio invade o seu coração. Ninguém o culpa pelo acidente. Foi uma fatalidade. Por que escolheu ficar muito cansado naquele dia? Não agüenta mais pensar no que fez com o seu amigo. Aos prantos, diz: “Pai do Céu, por favor, me leve embora daqui. Não quero mais viver.” De repente, um pássaro amarelo voa em sua direção e pousa no seu ombro esquerdo. Não sabe que pássaro é esse. A ave começa a cantar. Uma melodia linda e sublime. O sol brilha mais ainda. O vento sopra suavemente. César fecha os olhos. Abre os braços para sentir a brisa e o calor do sol. Ele gira, cai e adormece.

Lu Vieira

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segunda-feira, abril 26, 2010

Armadilhas

Desculpe por invadir assim a sua vida. Por mais que nos dias de hoje a privacidade não seja tratada com todo o respeito que merece ainda tenho receio de chegar assim sem ser convidado. Peço, por favor, que não feche este e-mail antes de ler até o final. Por mais estranho que pareça esta foi a única maneira que encontrei para chegar até você. Não que estejas longe dos meus olhos, pois todos os dias nos vemos e até compartilhamos nossa existência por alguns instantes, mas isso não é o bastante. Pelo menos para mim. A distância a que me refiro é este imenso abismo que a timidez depôs entre nós. E que me impede de revelar-lhe a verdade dos meus sentimentos. Não vá você pensar que o móvel de meus atos é uma paixão passageira, tara doentia ou simplesente uma fome carnal como é comum ver entre os homens que tratam as mulheres como pedaços de carne exposta no açougue. Não que seu corpo não seja formoso e desejável, muito pelo contrário até. Mas o que quero mesmo dizer é que meus sentimentos são puros e sinceros.

A razão de utilizar um meio indireto para chegar até você é a minha incerteza sobre a opinião que tens de mim. Apesar de sermos colegas tenho certeza que muito pouco tempo destinastes para me conhecer. Talvez por isso o que mais percebo vindo de ti é uma fria indiferença. Nessas horas ponho-me a sonhar e questionar-me. E se você me conhecesse de verdade? Será que ainda assim haveria frieza em seus olhos? Será que eles se voltariam em minha direção? Não sei. Tudo o que posso fazer é desejar que o conhecimento do meu verdadeiro eu toque o seu coração e assim a solidão seja expulsa do seu peito. Porque eu sei que aí se encontra um espaço vazio.

Certo de que poderei contar com a sua atenção e de que em breve poderemos nos reencontrar para que eu possa abrir meu coração e olhos nos olhos esperar uma resposta sua. Estou a sua disposição para qualquer data, hora e local que seja do seu agrado.

Um abraço daquele que te ama em segredo.
***

Mal podia se conter ao terminar de ler a mensagem. Queria rir e gritar alto. Fez um esforço para se controlar e respondeu o e-mail o mais rápido possível, informando local, data e hora. Em seguida deletou o original, a resposta e saiu do quarto da irmã o mais discretamente que pode. Nos lábios um sorriso sacana e na mente um plano ficava cada vez mais claro.

***

Quando entrou no quarto e viu que a mensagem não estava mais na caixa de entrada soube então que o peixe havia engolido a isca com anzol e tudo. Agora era só puxar a linha e assistir o animal se debater.

***

- Mana que bom que você veio comigo no shopping. Ando me sentindo meio sozinho.

- De nada maninho. - você nem imagina como esse passeio vai me fazer bem.


Andaram pra cima e pra baixo, rindo e olhando vitrines ao mesmo tempo que tentavam disfarçar a ansiedade. Conforme o tempo passava foram fluíndo em direção a praça de alimentação. Os olhos esperando um momento de distração do acompanhante para poder vasculhar o local em busca de qualquer um que pudesse ser estranho o bastante para se encaixar em suas expectativas. Escolheram uma mesa e ficaram por ali. A hora chegara. Frente a frente o duelo resumia-se não sacar mais ligeiro, mas a sumir mais rápido. Ele varreu o local mais uma vez com o olhar. Essa foi sua ruína.

- Cuida da minha bolsa enquanto eu vou no banheiro? - não esperou resposta. Saiu da mesa, não olhou pra trás, mas também não foi pro banheiro. Entrou numa loja e acomodou-se de modo que pudesse ver sem ser vista.

***

- Caio? É você?

- Sim?! Mas quem é o senhor?

- Marcos é o meu nome. Aquele negócio de Coroa Sarado é só pra usar no chat.

- Coroa o quê?

- Eu cheguei cedo e fiquei por ai. Já estava achando que você não viria mais. Quem bom que teve coragem. A propósito você é mais bonito ao vivo do que nas fotos.

- Que fotos? Do que você tá falando?

- Dessas fotos aqui.- mostrou-as no visor do celular. Houve um instante de silêncio. - Então vamos comer alguma coisa ou vamos direto pro meu apartamento?

- ...

Fim

Texto escrito a partir do blogue Once upon time e seu desafio:

Frase : E se você me conhecesse de verdade

Escreva uma história, um conto ou até mesmo uma fábula (nada de textos argumentativos) que contém a frase acima.


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