sexta-feira, agosto 27, 2010

Casa mente

Nossa união foi um ato desunido,
Firmado com promessas de papel;
Testemunhado, nunca consentido;
E mascarado por um branco véu.

Confusos sentimentos, desprovidos
De verdades. O mais falso e infiel
Dos juramentos. Um coração fingido,
Querendo entrar num coração incréu.

Um teatro de dramas religiosos.
Comédia de um só ato descabido,
Representado por dois mentirosos...

... E desfilamos na desfaçatez:
Eu, tão soberbo, de ilusão vestido
E tu vestidas pela insensatez.

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quinta-feira, agosto 26, 2010

Barracão da penha II

Fica às margens da BR-101 logo depois de passar a ponte sobre o rio Itajaí no sentido Sul/Norte. Quem vê de fora não dá nada pelo local. Basicamente é mais uma lanchonte de beira de estrada, daquelas que vendem um monte de bagulho pra turista. Artesanto, doces, cachaças, cuias de chimarrão, bancos, apitos e por ai vai. Até mesmo eu que não sou muito ligado nessas coisas acabo adquirindo uma colher de pau ou um doce ou uma cachaça. Mas o que eles tem de realmente importante é o que está na cozinha. E é de lá que vem pão caseiro, queijo colonial e salame. Juntos eles formam um dos melhores sanduíches que eu conheço. Tostado na chapa e acompanhado de um café é a melhor coisa que você pode conseguir na beira de uma estrada.
Faço questão de parar ali sempre que posso para saborear o lanche e esticar as pernas. Fora o sanduiche o local oferece caldo de cana, pastéis fritos na hora e outros tipos de salgados. Os preços não são exorbitantes como outros lugares a beira da estrada que eu conheço e o atendimento é bem bacana o pessoal é atencioso e o lanche não demora pra ser servido.

Recomendo tranquilamente o lugar, pelo menos para as pessoas que gostam de comer sem muita frescura.

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domingo, agosto 22, 2010

Apagando o passado

- Você tem certeza de que é isso mesmo que quer - Disse o médico olhando dentro dos olhos dela.
- Doutor não é o que eu quero, mas sim o que eu preciso. Não é por vaidade. Eu preciso me livrar disso o quanto antes.
- A senhora sabe, as nossas cicatrizes têm o poder de nos recordar que o passado foi real e mesmo assim pretende ir adiante?
- Sim. Não tenho mais dúvidas e espero que o senhor respeite a minha vontade.
- A senhora está a par dos riscos e custos. Se até agora não consegui demovê-la dessa idéia tudo o que posso fazer é executar o procedimento da melhor forma possível.
A consulta seguiu sem maiores novidades e a cirurgia foi marcada para dali a uma semana.
...
Na mesa do centro cirúrgico ficou deitada como se não estivesse ali. Equipamentos por todos os lados e pessoas passando como se ela não existisse ou fosse um pedaço de carne a espera de ser cortado e temperado. Espetaram sua veia ligando-a ao soro. De todos os presentes o que lhe deu atenção foi o anestesista.
- Bom dia. Eu vou cuidar da sua anestesia você vai ficar sonolenta e depois vai dormir. Fique tranquila. Você está em boas mãos.
Fechou os olhos. Imersa na escuridão não teve sonhos nem revelações. Nada de místico ou esotérico. Teve a impressão de que seu corpo foi sacudido algumas vezes. Aos poucos foi acordando tonta, desorientada e ansiosa. Precisava saber o resultado. Mas ninguém aparecia. Se pudesse pularia da cama e iria em busca de um espelho. Tentou levantar-se. O quarto rodou e ela deixou-se cair. A enfermeira passou rápida avisando que em breve o médico viria visitá-la.
- Então, como está se sentindo?
- Estou bem, mas e aí doutor a cicatriz sumiu?
- Sim ela sumiu. O procedimento foi um sucesso. Agora é só esperar mais algumas horas e você já pode ir pra casa. Só espero que você não venha a se arrepender.
- Doutor tudo o que eu preciso é esquecer.
- Só que às vezes o que desejamos não é aquilo que verdadeiramente precisamos. Mesmo assim vou torcer por você.

Em casa, muito tempo depois desfilava na frente do espelho observava a barriga livre de qualquer marca ou sinal. Aos olhos seu corpo não revelava que um dia ela tinha sido mãe. Pena que durante a cirurgia esqueceram de apagar as cicatrizes do seu coração.

Texto escrito a partir do blogue Once upon time e seu desafio:
A frase de filme desta semana é: "As nossas cicatrizes têm o poder de nos recordar que o passado foi real", Dragão Vermelho.
Faça um conto, uma crônica, um poema, uma carta, uma fabúla ou qualquer coisa fantástica e fantasiosa que sua mente inventar que contenha a frase a cima.Para receber sua nota por e-mail mande-o junto com o link do seu texto até às 19 horas do dia 23/08. A próxima edição sai no dia 24/08, junto com o resultado desta edição. Boa sorte! 

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