sábado, junho 01, 2013

Resumindo maio

Maio foi um mês que passou rápido. Meio que voando. Pouco exercício e bastante trabalho. O pneu da bicicleta furou, aí já aproveitei para trocar o pneu que alem do furo na camara estava rasgado na lateral e tinha risco de estourar enquanto eu estivesse descendo alguma ladeira. Nessa onda de comprar pneu novo e trocar eu levei o mês inteiro. Corre pra lá, corre pra cá e no fim acabei deixando esse assunto pra de lado e levei Maio inteiro pra resolver. Agora dia primeiro de junho já está tudo resolvido e a partir de quarta-feira devo recomeçar a minha rotina de pedalar até o serviço. Não poderei mais contar com o clima ameno do outono. O que vou enfrentar é o frio do inverno. Espero mesmo que não me falte coragem pra encarar essas manhãs geladas de Santa Catarina.
Se o corpo ficou parado, já não posso dizer o mesmo da mente. Um amigo do trabalho teve que se mudar para Brasília por causa de uma promoção que a esposa recebeu. Uma das muitas formas que encontramos de demonstrar nosso afeto foi a elaboração de um documentário/memorial sobre ele. Isto me manteve bastante ativo e excitado. Trabalhando na captação de áudio e vídeo, elaborando perguntas, formatando o documentário, depois editando-o e lutando para superar as dificuldades que surgiam ao longo da obra. Este foi um trabalho que me trouxe bastante realização. No  último dia dele em SC reunimos os amigos no auditório da empresa e exibimos o filme. O homenageado gostou bastante. Agora aguardo novos desafios nessa área do audiovisual, que eles cheguem logo é o que desejo.

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sexta-feira, maio 31, 2013

Mais um filme de L.S. Alves

Só pra deixar vocês a par da situação. Este é o último curtíssima metragem que fiz pro festival do minuto. Uma denuncia sobre o abandono da praça aqui perto de casa. Pra variar a estrala da vez é a Liz Comerlatto Alves minha atriz favorita.


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quinta-feira, maio 09, 2013

Eu robô?

Fagundes (nome fictício) é funcionário de uma empresa pública há 29 anos. Chega ao serviço, estaciona seu carro, trava-o e segue caminhando até sua sala. Nesse trajeto dezenas de pessoas passam por ele, mas, como elas estão abaixo do seu queixo, não as vê.

Entra em sua sala, senta em sua ilha (assim mesmo no possessivo) e isola-se.

Esses espaços foram chamados de ilhas propositadamente. As pessoas nadam até elas, como náufragos. Completamente ilhados, cercados de indiferença por todos os lados, assim, sobrevivem as suas oito horas diárias.

Belas mensagens nos murais, notícias importantes, um cartaz interessante, tudo é ignorado, imagine um ser humano, esse ser insignificante, egoísta e mesquinho. “Quero mais é cumprir minha obrigação e ir para minha casa!”, acusa aquela voz sintética e programada.

E assim vai a massa ignara, tangida e submissa para os abatedouros da vida.

Onde está aquele aperto de mão sincero? Onde está aquele abraço amigo? Aquele sorriso justo? Aquele bom dia altaneiro? Onde foi parar o cavalheirismo, a diplomacia, a educação?

Seres autômatos, formais, empedernidos, céticos, cruéis!

A frieza, a indiferença, o desamor, o apego às coisas materiais, a servidão humana, a devassidão do tempo, sei lá o que mais. Tudo isso contribuiu e contribui para afastar e isolar as pessoas, tornando-as escravas de si mesmas.

Relacionamento. Que bela palavra. Significa manter laços afetivos, conectar-se, estabelecer ligações e correspondência. Mas não passa disso, apenas uma palavra, principalmente dentro de uma repartição pública.

Morto-vivos, zumbis é o que são. Gente sem alma e sem coração (perdoem-me a rima pobre, não foi minha intenção, putz, de novo!).

Nenhum ser humano pode passar dias, meses, anos nessa sofreguidão, nesse isolamento, apenas uma máquina fria, oleosa, sistemática e calculista pode sobreviver dessa forma.

Não se trata aqui de desrespeitar o individualismo (e nesse caso essa palavra ganha ênfase), trata-se de saber que vivemos em bando, em sociedade, em grupos. Nem mesmo o eremita na mais inóspita região desértica está só (esotericamente falando).

Chega à hora religiosa do final do dia. “Programadamente”, Fagundes assina seu ponto, ergue-se de sua cadeira e caminha em direção ao seu túmulo para descansar suas engrenagens, e na manhã seguinte, voltar ao seu obscuro oceano, ao seu planejado arquipélago e a sua inestimável, desolada e gélida ilha.
 
Hélio Cabral Filho

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