quinta-feira, maio 09, 2013

Eu robô?

Fagundes (nome fictício) é funcionário de uma empresa pública há 29 anos. Chega ao serviço, estaciona seu carro, trava-o e segue caminhando até sua sala. Nesse trajeto dezenas de pessoas passam por ele, mas, como elas estão abaixo do seu queixo, não as vê.

Entra em sua sala, senta em sua ilha (assim mesmo no possessivo) e isola-se.

Esses espaços foram chamados de ilhas propositadamente. As pessoas nadam até elas, como náufragos. Completamente ilhados, cercados de indiferença por todos os lados, assim, sobrevivem as suas oito horas diárias.

Belas mensagens nos murais, notícias importantes, um cartaz interessante, tudo é ignorado, imagine um ser humano, esse ser insignificante, egoísta e mesquinho. “Quero mais é cumprir minha obrigação e ir para minha casa!”, acusa aquela voz sintética e programada.

E assim vai a massa ignara, tangida e submissa para os abatedouros da vida.

Onde está aquele aperto de mão sincero? Onde está aquele abraço amigo? Aquele sorriso justo? Aquele bom dia altaneiro? Onde foi parar o cavalheirismo, a diplomacia, a educação?

Seres autômatos, formais, empedernidos, céticos, cruéis!

A frieza, a indiferença, o desamor, o apego às coisas materiais, a servidão humana, a devassidão do tempo, sei lá o que mais. Tudo isso contribuiu e contribui para afastar e isolar as pessoas, tornando-as escravas de si mesmas.

Relacionamento. Que bela palavra. Significa manter laços afetivos, conectar-se, estabelecer ligações e correspondência. Mas não passa disso, apenas uma palavra, principalmente dentro de uma repartição pública.

Morto-vivos, zumbis é o que são. Gente sem alma e sem coração (perdoem-me a rima pobre, não foi minha intenção, putz, de novo!).

Nenhum ser humano pode passar dias, meses, anos nessa sofreguidão, nesse isolamento, apenas uma máquina fria, oleosa, sistemática e calculista pode sobreviver dessa forma.

Não se trata aqui de desrespeitar o individualismo (e nesse caso essa palavra ganha ênfase), trata-se de saber que vivemos em bando, em sociedade, em grupos. Nem mesmo o eremita na mais inóspita região desértica está só (esotericamente falando).

Chega à hora religiosa do final do dia. “Programadamente”, Fagundes assina seu ponto, ergue-se de sua cadeira e caminha em direção ao seu túmulo para descansar suas engrenagens, e na manhã seguinte, voltar ao seu obscuro oceano, ao seu planejado arquipélago e a sua inestimável, desolada e gélida ilha.
 
Hélio Cabral Filho

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terça-feira, abril 02, 2013

Mais um filme a caminho

Esta semana começaremos a gravação de um documentário. Um curtíssima metragem pra concorrer no festival do minuto. O tema é uma denúncia contra o abandono que há anos aflige as praças do município de Palhoça. quem vai apresentar o doc será a Liz, já que o assunto tem mais a ver com ela e o seu dia-a-dia.
Basicamente nossa proposta é fazer um cinema de guerrilha tendo como equipe a própria família. Em suma, será um trabalho rapido e simples. Possivelmente utilizando uma sony DSC-W320 montada num rig e com som captado direto da própria câmera. Devemos gravar no sábado. Quando o filme estiver pronto eu volto pra compartilhar com vocês.

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segunda-feira, abril 01, 2013

Equipando-se pra pedalar

Acabo de chegar das compras. Aos poucos vou me equipando para tornar-me um ciclista melhor. A aventura de ir pro trabalho de bicicleta já é uma realidade. Já consigo ir e vir durante os cinco dias uteis da semana. Até o momento o sábado e o domingo são meus dias de descanso e recuperação. Em março consegui vencer uma semana inteira de dias chuvosos e frios. Não foi fácil, mas por enquanto a força de vontade tem sido maior que a preguiça. O que pude notar ao longo das minhas pedaladas é que em março os desafios intransponíveis de janeiro já são coisa do passado e agora passo por eles sem maiores dificuldades.
Comprei um capacete e um par de luvas. Obrigatório mesmo era o capacete, mas já que estava por lá aproveitei para comprar um itenzinho a mais. Este mês fechei uma quilometragem de 263 Km. Espero que em abril consiga chegar aos 300 Km. Por enquanto não observei mudança digna de nota no meu peso ou aparência. Creio que isso virá com o tempo.

São José, 25 de março de 2013.

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