sexta-feira, março 05, 2010

A carta ainda vive

Está certo às vezes queremos ganhar aquele presente que, de tão caro que é, nós ficamos com vergonha de comprá-lo. Normalmente o que acontece nesses casos é que ficamos só no desejo, pois só nós mesmos pra nos valorizarmos tanto assim. Mas não é esse o caso do momento. Hoje minha alegria não se deve a um presente caríssimo e muito menos a algo que eu tenha comprado para me presentear. O sorriso no meu rosto surgiu porque o Correio ainda funciona e graças a ele as distâncias tornam-se menores e podemos compartilhar nossa existência física com pessoas que no momento encontram-se muito distante. Assim as pessoas com gestos simples e sem despesas vultosos distribuem um pouco mais de alegria na vida de seus amigos. Foi assim comigo. Recebi um lindo cartão postal da Elite do Cartas à Filo-Sofia, um calendário poético feito com material reciclado da Madalena M. Barranco e uma carta da minha amiga Lu Vieira que foi morar longe daqui. Essas coisinhas simples são capazes de trazer uma felicidade que presentes caros não trazem. Afinal alguém dedicou um tempo da sua vida para mim e acho que isso é melhor que podemos fazer uns pelos outros. Gastar um pouco das nossas vidas para fazer outras pessoas felizes também.









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quarta-feira, março 03, 2010

Orgulho e Preconceito

Apesar de um filme sobre essa história ter sido feito recentemente quem me apresentou a Jane Austen foi uma colega, Ceinwyn, do fórum Valinor. Ela leu, adorou e deixou como recomendação a leitura de qualquer obra da autora.

Passaram alguns anos até que nas minhas férias de 2008 tomei coragem e adquiri um exemplar de Orgulho e preconceito.

A história abre com um dialogo tão banal que só mesmo um grande talento para esconder coisas importantes sob tanta futilidade e ainda assim espicaçar a curiosidade do leitor. O casal Bennet especula sobre a chegada à cidade de um jovem solteiro e rico. E nesse momento começamos a perceber sobre o que se trata a história. A busca da senhora Bennet em casar "bem" as suas cinco filhas.

Creio que mais de duzentos anos se passaram depois da publicação desse livro e mesmo assim nota-se que poucas coisas mudaram. Liberação da mulher, luta por direitos iguais e ainda hoje vemos mães empurrando filhas em direção a casamentos como se essa antiga instituição, falida, fosse o supra-sumo da realização pessoal na vida de uma mulher. Nesses dois séculos de intervalo o que mudou é que as vítimas de antes eram lordes e fidalgos e agora são pagodeiros e jogadores de futebol. Pensando bem, eles bem merecem o que lhes acontece.

Voltando ao livro, com esse pano de fundo tão atual e ao mesmo tempo tão simples Jane Austen desenvolve com maestria a trajetória de Elizabeth Bennet a segunda irmã mais velha entre as cinco moças da família. Personagem principal e de longe a pessoa mais equilibrada e perspicaz da família. É através de seus olhos que as palavras do título são desenvolvidas no decorrer do romance. Criando personagens interessantes e invertendo as coisas quando já acreditamos que tudo está definido Jane escreveu uma história cheia de “humanidade” que agradará àqueles que gostam de retratos da sociedade e a quem aprecia uma boa história de amor e intrigas.

Afirmo que esse livro foi uma agradável surpresa e que sua leitura é tão suave e fluente que em três dias devorei suas páginas. Apesar de toda minha programação de férias. 

P.S: Um ano e pouco depois de ter feito essa resenha assisti o filme e digo que foram muito felizes com a adaptação que levaram à tela. Roteiro quase igual ao livro!

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segunda-feira, março 01, 2010

Os guarda-vidas

Quando o verão chega, eles estão nas praias. Não em todas. É possível encontrá-los onde o mar possui ondas perigosas ou águas agitadas. Dou graças a Deus pela existência do trabalho dos guarda-vidas. Considero de grande responsabilidade e de coragem por colocar em risco a própria vida. Já imaginou se eles não existissem? Se eu fizesse o papel deles sem ser uma guarda-vidas, não teria credibilidade. Alguns poderiam pensar assim depois de eu orientar a não entrar na água em determinado ponto: “Quem ela pensa que é para dizer isso pra mim?”.

Antigamente eram conhecidos como salva-vidas. Hoje são denominados de guarda-vidas. Bem, pelo menos aqui em Santa Catarina é assim. Penso que o nome atual é o mais adequado. Melhor ficar de olho na vida dos outros em vez de sair correndo a fim de salvar alguém do afogamento.

Em um fim de semana de fevereiro estive observando as atividades dos guarda-vidas na praia dos Ingleses em Florianópolis. Essa praia tem ondas fortes. Apesar de saber nadar, eu só fiquei na beira do mar. No entanto, muitos banhistas iam ao fundo do mar. E os guarda-vidas não ficaram de braços cruzados. Em vários momentos, escutei o apito. Eram eles chamando os banhistas para saírem da área perigosa. Comparei o desempenho dos guarda-vidas com os policiais que atuam nas ruas. Os guardas de trânsito também orientam as pessoas nas ruas ou chamam a atenção. “Aqui não pode estacionar”. “Vire à direita”.

Havia bandeiras vermelhas fincadas na areia em boa parte da praia. Elas indicam que o mar está perigoso. Em um trecho tinha três bandeiras vermelhas distantes uma da outra e unidas com fita plástica de cores amarela e preta. Isso significava que não podia entrar no mar de jeito nenhum.

Num determinado momento, eu e meus amigos vimos um ato de salvamento. Dois guarda-vidas retiraram do mar um homem que teve um mal-estar. Utilizaram um tipo de corda elástica para puxá-lo de volta à areia. Um puxava a corda e o outro segurava o homem. Deu tudo certo. A cunhada de minha amiga, que conheci naquele dia, contou que dias antes uma adolescente não teve a mesma sorte.

Próximo das oito horas da noite e o dia ainda claro, resolvemos caminhar na praia. Mal começamos a andar quando nos deparamos com inúmeras pessoas em volta de algo. Os guarda-vidas tentavam reanimar alguém. Era um homem? Uma mulher? Uma criança? O máximo que conseguimos saber era de que se tratava de uma moça. Alguns diziam que era uma adolescente. Outros, uma jovem. Muita gente que observava o ato deixou as lágrimas rolarem no rosto, inclusive eu. A emoção e a esperança tomaram conta de mim. “Meu Deus, ajuda eles. Por favor, não quero ver uma morte na minha frente”. Dois guarda-vidas solicitaram às pessoas a se afastarem da cena. Logo vimos um helicóptero se aproximando para pousar na areia. A equipe do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou para ajudar no trabalho.

Seguiram mais alguns momentos tensos. Não conseguíamos ver direito. De repente, os profissionais pareceram ficar mais aliviados e estavam colocando a moça na maca. Os guarda-vidas fizeram uma roda. As pessoas que viram o acontecimento começaram a bater palmas. O helicóptero levantou vôo. De pé do lado de fora do helicóptero e uma mão segurando num suporte, um jovem profissional do SAMU apontou o dedo em direção aos guarda-vidas. Entendemos que o mérito do salvamento era para os guarda-vidas. Eles continuaram em roda, ajoelhados no chão e um abraçava o outro. Agradeceram uns aos outros e a Deus. Aplausos demorados. Muita gente foi cumprimentá-los.

Enquanto a moça era socorrida, reparamos que não havia um parente ou um amigo dela junto. Pode ser que os seus acompanhantes foram para casa e ela quis ficar mais um pouco na praia. Provavelmente disse: “Vou dar um mergulho”. Como sou curiosa, procurei nos jornais por alguns dias a fim de encontrar a notícia sobre a ocorrência. Não achei uma notinha sequer. Não pude saber quem era ela. Conclui que é melhor pensar que ela está bem. Mergulhou em direção à quase morte e os guarda-vidas mergulharam para trazê-la de volta. Viva os guarda-vidas!

Lu Vieira

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