Quando o verão chega, eles estão nas praias. Não em todas. É possível encontrá-los onde o mar possui ondas perigosas ou águas agitadas. Dou graças a Deus pela existência do trabalho dos guarda-vidas. Considero de grande responsabilidade e de coragem por colocar em risco a própria vida. Já imaginou se eles não existissem? Se eu fizesse o papel deles sem ser uma guarda-vidas, não teria credibilidade. Alguns poderiam pensar assim depois de eu orientar a não entrar na água em determinado ponto: “Quem ela pensa que é para dizer isso pra mim?”.
Antigamente eram conhecidos como salva-vidas. Hoje são denominados de guarda-vidas. Bem, pelo menos aqui em Santa Catarina é assim. Penso que o nome atual é o mais adequado. Melhor ficar de olho na vida dos outros em vez de sair correndo a fim de salvar alguém do afogamento.
Em um fim de semana de fevereiro estive observando as atividades dos g
uarda-vidas na praia dos Ingleses em Florianópolis. Essa praia tem ondas fortes. Apesar de saber nadar, eu só fiquei na beira do mar. No entanto, muitos banhistas iam ao fundo do mar. E os gu
arda-vidas não ficaram de braços cruzados. Em vários momentos, escutei o apito. Eram eles

chamando os banhistas para saírem da área perigosa. Comparei o desempenho dos guarda-vidas com os policiais que atuam nas ruas. Os guardas de trânsito também orientam as pessoas nas ruas ou chamam a atenção. “Aqui não pode estacionar”. “Vire à direita”.
Havia bandeiras vermelhas fincadas na areia em boa parte da praia. Elas indicam que o mar está perigoso. Em um trecho tinha três bandeiras vermelhas distantes uma da outra e unidas com fita plástica de cores amarela e preta. Isso significava que não podia entrar no mar de jeito nenhum.
Num determinado momento, eu e meus amigos vimos um ato de salvamento. Dois guarda-vidas retiraram do mar um homem que teve um mal-estar. Utilizaram um tipo de corda elástica para puxá-lo de volta à areia. Um puxava a corda e o outro segurava o homem. Deu tudo certo. A cunhada de minha amiga, que conheci naquele dia, contou que dias antes uma adolescente não teve a mesma sorte.
Próximo das oito horas da noite e o dia ainda claro, resolvemos caminhar na praia. Mal começamos a andar quando nos deparamos com inúmeras pessoas em volta de algo. Os guarda-vidas tentavam reanimar alguém. Era um homem? Uma mulher? Uma criança? O máximo que conseguimos saber era de que se tratava de uma moça. Alguns diziam que era uma adolescente. Outros, uma jovem. Muita gente que observava o ato deixou as lágrimas rolarem no rosto, inclusive eu. A emoção e a esperança tomaram conta de mim. “Meu Deus, ajuda eles. Por favor, não quero ver uma morte na minha frente”. Dois guarda-vidas solicitaram às pessoas a se afastarem da cena. Logo vimos um helicóptero se aproximando para pousar na areia. A equipe do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou para ajudar no trabalho.
Seguiram mais alguns momentos tensos. Não conseguíamos ver direito. De repente, os profissionais pareceram ficar mais aliviados e estavam colocando a moça na maca. Os guarda-vidas fizeram uma roda. As pessoas que viram o acontecimento começaram a bater palmas. O helicóptero levantou vôo. De pé do lado de fora do helicóptero e uma mão segurando num suporte, um jovem profissional do SAMU apontou o dedo em direção aos guarda-vidas. Entendemos que o mérito do salvamento era para os guarda-vidas. Eles continuaram em roda, ajoelhados no chão e um abraçava o outro. Agradeceram uns aos outros e a Deus. Aplausos demorados. Muita gente foi cumprimentá-los.
Enquanto a moça era socorrida, reparamos que não havia um parente ou um amigo dela junto. Pode ser que os seus acompanhantes foram para casa e ela quis ficar mais um pouco na praia. Provavelmente disse: “Vou dar um mergulho”. Como sou curiosa, procurei nos jornais por alguns dias a fim de encontrar a notícia sobre a ocorrência. Não achei uma notinha sequer. Não pude saber quem era ela. Conclui que é melhor pensar que ela está bem. Mergulhou em direção à quase morte e os guarda-vidas mergulharam para trazê-la de volta. Viva os guarda-vidas!
Lu Vieira
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