quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Pais e filhos Nº 06. Pragmatismo infantil

Mãe - Filha tua prima vem passar as férias com o vovô.

Filha - E daí?

Mãe - E daí que ela vai querer ficar com o vovô o tempo todo. No colo, na rede e na praia.

Filha - Não vai não! Eu vou na cozinha pego uma faca e mato ela.

Mãe - ...

Filha - Aí o vovô fica só pra mim.


Nossa colaboradora Juliana preparou mais uma ilustração. Quem quiser conhecer melhor o trabalho dela é visitar o blog Jujucartoon.
Gostou do texto? Cadastre-se ali no topo à esquerda e receba posts no seu email. É grátis!

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Corda bamba

Olhou pra cima e imaginou o quão alto aquilo estava. Isso não foi suficiente para fazê-lo desistir. Com certeza iria apreciar a vista lá de cima e sentiria prazer quando o vento entrasse por suas roupas e bagunçasse seus cabelos. Encantos que as alturas possuíam e o dominavam. No meio do caminho olhou pra baixo. Não devia ter feito isso. Não houve tontura ou arrependimento. Apenas foi tomado pela realidade. Acordou para os efeitos nocivos que a gravidade da situação poderia infringir-lhe. Não houve medo. Foi apenas uma constatação. Dura e seca como são todas as verdades. Seguiu acima. Alcançou o topo e então percebeu que não havia caminho de volta. Talvez tivesse ficado no chão se pensasse no assunto com mais calma, mas no fundo creio que nada mudaria. Ali no alto as opções resumiam-se a prosseguir ou cair. Estacionar fatalmente resultaria em obliteração. Respirou fundo, sorveu a beleza da paisagem e sorriu. A corda bamba estendia-se a frente totalmente indiferente a seus receios e desejos. Mas não era uma corda bamba comum. Composta de arame farpado estava pronta para punir sem clemência qualquer passo errado. Claro essa não era a única opção de perigo. A altura extrema ameaçando uma queda mortal. Um instante de desequilíbrio, em seguida um vôo fugaz e depois o nada ou coisa pior. Quem seria capaz de saber o que havia lá embaixo? Deu o primeiro passo e percebeu que o arame não era tão firme quanto gostaria. Deu o segundo passo e notou que poderia cair a qualquer momento. No terceiro pisou onde não devia. Farpas se enterraram na carne, a dor latejou no pé. Com toda a calma que pode juntar recolheu o pé e depositou-o em outro lugar. Na caminhada oscilante aprendia onde por e onde não por os pés. Os erros passados não ajudavam a evitar os erros futuros. O vento assoviava em seus cabelos contando histórias de coisas e lugares que existiam além de seu minúsculo universo que agora resumia-se a uma linha reta. Uma dimensão e nada mais. Sabia que o vento não estava mentindo, mesmo que nem tudo fosse tão lindo e tão fácil como ele dizia tinha consciência de que havia outros caminhos no mundo. E lá no alto, sobre o arame farpado, os pés sangrando, pôs-se a pensar. Seguir em frente, sempre com medo do passo seguinte ou pular de encontro ao vento em busca de um mundo diferente? Enquanto a resposta não chega equilibra-se.

Espero que decida-se antes que seja tarde demais. 
 
 
Gostou do texto? Cadastre-se ali no topo à esquerda e receba posts no seu email. É grátis!

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Citações Nº 38. Carlos Drummond de Andrade. Humanidade


Somos humanos, isto é, achamos que somos.
(Carlos Drummond de Andrade)

Gostou do texto? Cadastre-se ali no topo à esquerda e receba posts no seu email. É grátis!