A inspiração para escrever este texto partiu da leitura feita na carta aberta de Eliane Sinhasique para o Renato Aragão, o Didi. Muitos receberam a carta por e-mail. A Eliane tem um blog e a carta está lá. Este é o link:
http://sinhasique.zip.net/arch2008-09-21_2008-09-27.html Leia a carta dela para que você possa ler também o meu.
É difícil ficar um dia sem receber pedidos de doação em dinheiro, alimentos, roupas, materiais de construção, livros ou materiais escolares. Existem tantos impostos no Bra
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sil que deveriam ser suficientes para suprir as necessidades básicas do povo. O dinheiro arrecadado está sendo mal usado ou roubado. Como nem todos os brasileiros têm acesso à educação, eles não sabem acompanhar as ações do governo e nem cobrá-lo. Em minha opinião, a educação é a base para se dar bem na vida. É com o estudo que o homem saberá cuidar de sua saúde, gastar melhor o seu salário, ter interesse em buscar novos conhecimentos, escolher uma profissão que lhe satisfaça, decidir o que fazer a cada situação da vida, etc. Educação deveria ser vista como investimento e não como despesa. Se os olhos do governo se voltassem para a educação, consequentemente os professores teriam mais ânimo e gosto de exercer a profissão e receberiam um salário melhor. Assim como a Eliane Sinhasique, sou a favor das escolas com horário integral para que as crianças tenham outras atividades tais como as artes e os esportes. A partir dali elas podem definir melhor o curso superior que deseja estudar. Sou ainda a favor de valorizar os cursos técnicos de nível médio. É uma forma de ir descobrindo e testando se a profissão lhe agrada.
Há diversas formas de esmolar. Podem ser feitas pessoalmente, por meio da televisão, rádio, jornais, internet, telefone ou carta. As entidades sem fins lucrativos que ajudam de alguma forma as pes

soas com algum tipo de necessidade costumam pedir doação por carta, anexando boleto bancário ou solicitando o débito em conta bancária. Incrível! É como se essas doações virassem impostos. Quem faz doações mensais, deve verificar se o seu gesto surte bom efeito. Se doa há muitos anos, o problema pode não estar sendo resolvido de forma adequada.
Doações. Muitas doações. Das pessoas que se dirigiam pessoalmente em minha residência, as falas eram muito rápidas e decoradas. Procuro não doar em dinheiro. Costumo perguntar qual é a finalidade. Se responde que é para comprar comida, ofereço o que tenho em casa em vez de dar dinheiro. Se são remédios, peço a receita para eu mesma comprar na farmácia. Nem todos aceitaram o meu oferecimento. Arrumaram uma desculpa e foram embora.
Certa vez, eu estava lanchando na rodoviária de São Bernardo do Campo (SP), enquanto esperava o meu ônibus. Veio em minha direção uma mulher que pediu dinheiro. “Pra quê?” Ela respondeu que estava com fome. Então, ofereci comprar os salgadinhos da lanchonete onde eu comia e ela poderia escolher o que quisesse. Surpreendentemente, ela disse: “Não quero”. Desejava um “prato feito”, composto de arroz, feijão, algum tipo de carne, batata-frita e saladas. Perguntei onde tinha isso. Respondeu apontando com o dedo indicador: “É só atravessar a rua que ali tem um restaurante com prato feito”. Não consegui ver o lugar direito. “Sinto muito, não posso sair da rodoviária, pois o meu ônibus pode aparecer a qualquer momento”. Ela foi embora e continuou a abordar outras pessoas. Se a mulher estava com fome mesmo, ela aceitaria comer qualquer coisa. Nunca se sabe qual é a verdadeira intenção das pessoas. Não dá para confiar 100%.
Falando em veracidade e confiança, nem sempre vamos saber se ajudamos de acordo com a história do pedinte. Uma vez a minha alma se alegrou muito para uma pessoa que mereceu ser ajudada. Estava de folga na casa de meus pais e havia visto na TV e no jornal sobre uma família que perdeu tudo o que possuía em casa num incêndio. Dias depois, apareceu uma mulher de bicicleta batendo palmas em frente à casa de meus pais. Lá fui eu atendê-la. Certamente era mais uma pedinte. Ela não pediu dinheiro. Necessitava de roupas e de qualquer coisa que eu não usasse mais. Era a mulher que eu vi na TV. Logo iniciamos um bate-papo. Doei minhas coisas. Em bom estado, claro. Pedi para ela voltar outro dia, pois minha mãe não estava em casa e poderia dar mais para ela. Graças ao que havia visto na TV e no jornal, eu tinha uma forma de checar que a história dessa mulher era verdadeira.
Não sou contra a doação. Sou contra ao excesso de pedidos de doações, pois isso mostra que o governo não faz a sua parte. Palmas para a Eliane Sinhasique por sua brilhante e corajosa carta. Está mais que na hora de cobrar mais do governo. E acompanhar as suas ações.
Lu Vieira
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